Sua revista escolar de filosofia.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Diário do isolamento social: libertar-se das próprias prisões. Refletindo com Anne Frank

ATIVIDADE 3 - AULA DIGITAL PROGRAMADA (ADP) PARA TODAS AS TURMAS: FILOSOFIA, SOCIOLOGIA E ENSINO RELIGIOSO DE 1, 2 E 3 ANOS. 

Anne Frank foi uma menina judia alemã que enfrentou o horror da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Anne Frank - arquivo Swissinfo
Forçada a fugir com a família para a Holanda, ela foi ainda submetida a viver escondida com os pais, a irmã e outros conhecidos em um esconderijo, o Anexo Secreto, por mais de 2 anos até serem descobertos.

O relato das dificuldades, das privações, conflitos e também das esperanças de Anne ficou em seu diário, considerado um dos mais importantes documentos históricos da grande guerra.


Traduzido para 60 idiomas, O Diário de Anne Frank se tornou um livro que narra os dias da clandestinidade, do confinamento e do convívio forçado da menina Anne com os outros e consigo mesma.

Anne morreu em um campo de concentração.

Agora que você sabe um pouco sobre Anne Frank, vamos à atividade?

Nela você vai conhecer e refletir um pouco mais sobre:

- a obra O Diário de Anne Frank;
- a vida em família; 
- o valor da liberdade; 
- o desejo de se tornar independente;
- a responsabilidade consigo e com os outros.

Mãos à obra!

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O DIÁRIO DE ANNE FRANK

Agora,

Leia a página 35 - Sábado, 7 de novembro de 1942
Leia a página 48 - Sábado, 30 de janeiro de 1943
Leia a página 56 - Sexta-feira, 02 de abril de 1943
Leia a página 66 - Sexta-feira, 23 de julho de 1943
Leia a página 111 - Quarta-feira, 23 de fevereiro de 1944

A partir do que você leu em cada página, vamos criar algo nosso?

Durante esse dias em que você está em isolamento social, talvez esteja vivendo experiências mais intensas no convívio familiar e com seus próprios projetos pessoais. 


TAREFA:

Escreva uma carta de pelo menos 30 linhas a um amigo ou amiga imaginário, como a Kitty, e conte para esse amigo(a) algo que você também esteja sentindo nessa fase da vida, algo sobre a experiência de estar privado de parte da própria liberdade, das suas saudades e medos, sobre seu convívio familiar e social, seus conflitos, suas esperanças, seus sonhos para o futuro e que seja parecido ou inspirado naquilo que Anne Frank relatou nas páginas que você leu.


ATENÇÃO:

As tarefas ADP serão avaliadas após o retorno das aulas presencias, mas se você quiser já pode ir enviando assim que ficarem prontas. 

ENVIE PARA O E-MAIL

humanasisabel@gmail.com

Fique bem e #FiqueEmCasa 


quarta-feira, 1 de abril de 2020

Fratenidade em tempos de pandemia

TERCEIROS ANOS. AULA 2 ADP DE ENSINO RELIGIOSO. 

Como estamos estudando, a Campanha da Fraternidade 2020 é centrada no cuidado com o próximo.

A partir da perspectiva cristã, podemos ampliar a visão da ação ética voltada à promoção humana em diferentes práticas.
Padre Giuseppe Berardelli, 72 anos. Morreu de Covid-19
após ceder respirador a pessoa mais jovem, na Itália.  

No momento em que o mundo é atingido por uma pandemia, os mais pobres se tornam alvos frágeis não só da doença, mas da vulnerabilidade na qual já vivem e que agrava qualquer risco de fazê-los vítimas graves da Covid-19.

Vamos à atividade?

Nela você vai saber mais sobre:

- A generosidade como valor;
- A atitude que materializa o bem;
- A fraternidade na teoria e na prática. 

CLIQUE AQUI PARA LER A REPORTAGEM

Depois elabore uma reflexão com os seguintes questionamentos:

1 - Sendo a Covid-19 altamente contagiosa e agressiva, o que leva pessoas a deixarem a segurança de suas casas e se exporem à infecção para ajudar quem vivem nas ruas, sem lar? 
2 - Até que ponto vale arriscar a própria vida por um desconhecido? (Leia a legenda da foto acima)
3 - Se chegar o momento de você ter que decidir sair de casa ou não para ajudar a cuidar de um doente de Covid-19 que não seja a sua família, você vai? Explique.  
4 - O que o trabalho voluntário durante a pandemia tem a ver com o texto evangélico de Lucas, "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele". 

Faça em forma de texto com um título.

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

ENVIE PARA O E-MAIL

humanasisabel@gmail.com 

Seja bom e seu coração vai se alegrar!
E se hoje o melhor que você puder fazer é não sair, já sabe, #FiqueEmCasa!

Até mais!!

O valor das coisas

TERCEIROS ANOS. AULA 2 ADP DE FILOSOFIA.

Sócrates deu exemplo de ser um homem de valor.

Viveu com integridade até o fim.

Sua honestidade, sua coragem, sua generosidade e sua inteligência contagiaram o mundo e dá para dizer, mudaram o mundo.
Dilemas morais implicam refletir sobre os valores.

Você notou certas palavras que se referem à conduta?

A atividade filosófica de Sócrates que transitava da ironia à maiêutica, que era extrair de dentro de cada pessoa a verdade conceitual, produzida pela inteligência, tinha um propósito prático:

saber viver!

A partir da vida de Sócrates, vamos falar sobre valor.

Vamos à atividade?

Nela você vai saber mais sobre:

- O que é valor na filosofia;
- Qual a relação do valor com a conduta pessoal; 
- A universalidade do valor na filosofia de Platão. 

CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO

CLIQUE AQUI PARA LER O LIVRO

ATENÇÃO: ABRA O LIVRO DIGITAL NO COMPUTADOR! 
No celular ele pode não carregar. A versão digital é direto da editora.

Depois, responda:

1- Se os valores não estão nas coisas, de onde eles vêm? Explique. 
2- No vídeo há uma discussão entre o valor da vida e o valor do dinheiro. 
a - Descreva o debate
b - Pense na seguinte situação: 
o que vale mais para o Brasil: salvar as pessoas da Covid-19 ou arriscar a saúde para não afetar a economia? Justifique. 
3 - A conduta pessoal mostra os valores de cada um. O que isso quer dizer?
4 - Para que os valores são inventados? Para que eles servem?
5 - A partir do conhecimento inicial sobre os valores, diga por que você acha que os jurados de Atenas condenaram Sócrates à morte. 

PARA RESPONDER AS QUESTÕES ABAIXO, LEIA O LIVRO DE FILOSOFIA PÁG. 130, 131 E 132 (LINK ACIMA). De "Platão e a universalidade do valor" até "Historicidade dos valores".  

6 - Qual a relação entre o autoconhecimento e a felicidade humana?
7 - Quais os tipos de alma e o que cada um deles tem a ver com as escolhas pessoais? 
8 - Por que Platão afirma que a virtude é o maior dos valores pessoais na teoria da cidade justa?
9 - Para Platão os valores verdadeiros são universais. O que isso quer dizer?
10 - Um líder que mente é virtuoso? Por que ele age assim? Justifique sua resposta a partir dos valores. 

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

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Muito bom, né?!

Agora você já sabe o valor da filosofia...
Ou não?!

Até mais!!

#FiqueEmCasa

Filosofia, ciência e lógica

SEGUNDOS ANOS. AULA 2 ADP DE FILOSOFIA.

Estudamos que a filosofia se caracteriza por ser um discurso racional.

Portanto, ela é LÓGICA. 

Desde os primeiros filósofos, os chamados pré-socráticos, a compreensão racional do universo levou o homem à aventura do conhecimento.
A lógica estuda a estrutura do pensamento racional e dos argumentos.

No mundo moderno, a ciência ocupou lugar significativo na produção de saberes, mas a filosofia sempre esteve presente.

A lógica, como regras do pensamento, da argumentação e assim da linguagem inteligível, tem um papel fundamental na construção do conhecimento humano.

Vamos à atividade?

Nela você saber mais sobre:

O que é a lógica;
Como ela é importante para a linguagem; 
Qual a utilidade da lógica para o conhecimento. 


CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO

Depois, responda:

1 - O que o debate sobre a recuperação do meio ambiente demonstra sobre a lógica? 
2 - Analise o seguinte silogismo: 

a - ___________________________- PRIMEIRA PREMISSA 
b - Leanderson é estudante da Bica.  - SEGUNDA PREMISSA
c - Portanto, Leanderson só pode ser inteligente! - CONCLUSÃO 

Qual é a primeira premissa? 

3 - O que á a lógica na filosofia e para que ela serve? 
4 - Por que as falácias são equívocos lógicos? 
5 - As verdades científicas também dependem da lógica? Explique. 
6 - Como você argumentaria usando o SILOGISMO para convencer alguém a respeitar a quarentena durante a pandemia da Covid-19? 

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

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É lógico que você gostou, né?!

#FiqueEmCasa


Desigualdade social

PRIMEIROS ANOS. AULA 2 ADP DE SOCIOLOGIA

Estudante, você percebeu que a sociologia é uma ciência que nasce das tensões sociais que se acentuaram em um período de grandes mudanças da sociedade moderna.

Um dos problemas centrais estudados pela sociologia é a DESIGUALDADE SOCIAL. 

Favela em Curitiba - PR. Gazeta do Povo.
Por que há pobres e ricos?
O que essa divisão provoca?

São apenas algumas perguntas ligadas ao tema.

Vamos à atividade?

Nela você vai aprender mais sobre:

O que é a desigualdade social; 
Por que ela ocorre; 
Como a sociologia compreende o fenômeno; 
De que modo a desigualdade social nos atinge. 

CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO

Depois, responda:

1 - A desigualdade social é um fenômeno de todos os países. Por quê? Justifique. 
2 - Explique o que é a assimetria e dê um exemplo de como ela ocorre na cidade em que você vive. 
3 - De que modo a ação política é necessária para enfrentar a desigualdade social? Dê exemplo de uma ação política ligada ao direito à educação. Pode ser um notícia consultada em jornais online. 
4 - Você acha que a desigualdade social pode agravar os efeitos da pandemia da Covid-19 no Brasil? Justifique. 

ATENÇÃO!

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Legal, né?!

#FiqueEmCasa

É o espanto!

PRIMEIROS ANOS. AULA 2 ADP (Aula Digital Programada) DE FILOSOFIA. 

Você já percebeu que a Filosofia é uma prática.

Quer dizer, ninguém é filósofo sem filosofar.

Filosofar, então, é quer saber.

É amar tanto o conhecimento que se quer saber a razão de cada coisa, das mais simples às mais complexas. É ultrapassar o óbvio e compreender além da aparência.

A origem do conhecimento está no espanto
diante da existência das coisas. 

O ser humano é o único em todo o universo, pelo que se sabe até hoje, capaz de se admirar, se espantar com a realidade e perguntar:

O QUE É? POR QUE É? 

Vamos às atividades?

Nelas você vai revisar alguns pontos e aprender mais sobre:

A atividade filosófica no dia a dia;
A necessidade de questionar; 
Se deixar admirar pelo novo;
Elementos da história da filosofia. 

CLIQUE AQUI E ASSISTA AO VÍDEO

ACESSE AQUI E LEIA O TEXTO DO LIVRO

ATENÇÃO: ABRA O LIVRO DIGITAL NO COMPUTADOR! 
No celular ele pode não carregar. A versão digital é direto da editora.

Depois, responda:

1 - O que faz do taxista em filósofo? Explique cada uma das características indispensáveis a um filósofo. 
2 - Os mitos antigos explicam a origem do universo, do homem e de outras coisas. Por que eles não são filosóficos?
3 - Por que os mitos deram lugar à filosofia e o que os gregos antigos tiveram a ver com isso?
4 - Por que o espanto com a realidade é essencial à filosofia? 
5 - Você é uma pessoa mais imaginativa, emotiva e que gosta de fantasiar ou é mais prático, lógico, racional? O que vale mais: imaginação ou razão? Explique. 
6 - A partir do que foi exposto sobre a filosofia ser uma atividade de produção de CONCEITOS, diga como você entende o conceito do amor. ESSA RESPOSTA NECESSITA DA LEITURA DAS PÁGINAS 12, 13 E 14 DO LIVRO DIDÁTICO. "A FILOSOFIA NA HISTÓRIA" e mais uma reflexão própria. 

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

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humanasisabel@gmail.com

E aí, gostou?
Espero que sim!

Até a próxima, estudante e não esqueça: seja sempre curioso!

#FiqueEmCasa

domingo, 5 de maio de 2019

Amor platônico

Olá, amantes da filosofia!

Se vocês chegaram até aqui é porque já abriam o coração para a sabedoria.

E abriram também a razão, necessária para compreender o que se passa quando se ama.

Nossa reflexão sobre o que é o amor nos trouxe a mais uma reflexão conceitual: o amor platônico.


Platão (427 a.c - 347 a.c.) é um dos maiores filósofos da Grécia Antiga e seu pensamento participa da estrutura da cultura clássica ocidental com influência determinante até hoje.



Sobre o amor, Platão legou o que podemos chamar de um tratado e a partir dele a expressão "amor platônico" se popularizou.



Mas, mesmo que tenhamos conhecimento da expressão, sabemos o que significa?

Uma dica: Eros manifesta-se admirando o físico e se bem conduzido passa a admirar o espiritual.

Agora, vamos ao problema proposto em aula: ao saber da paixão dela por ele, Leanderson respondeu que sente por ela amor platônico e ela ficou insegura. O que ele sente por ela?

Leia o texto "Amor platônico?" (clique aqui nesse link) e responda no caderno a questão passada em aula.

Conteúdo e atividade serão avaliados.

Boa leitura!

quinta-feira, 7 de março de 2019

O ex-ministro da saúde e Platão: da pandemia à filosofia

ATIVIDADE 4 - AULA DIGITAL PROGRAMADA (ADP) PARA TERCEIROS ANOS. 

Luiz Henrique Mandetta - ministro da saúde
Na segunda-feira (06/04) o ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta anunciou ao país que permaneceria no cargo após rumores de que seria demitido no meio do combate à pandemia de Covid-19. 

Para rebater as críticas da presidência da república ao seu trabalho, Mandetta recorreu à filosofia e citou a alegoria da caverna, de Platão


Veja como a filosofia é fundamental nas horas críticas! 

Mas, por que o político recorreu a esse texto de Platão?

Como estamos vendo, Platão foi discípulo de Sócrates e sua filosofia aprimora o pensamento de seu mestre na busca pela verdade e pelo modo justo de viver, de fazer as coisas amparado na ciência e não no "achismo".

Vamos em frente, então.

André Comte-Sponville resume a filosofia dizendo que se trata de pensar a vida e viver o próprio pensamento. 

Mas, esse viver não é isolado, apartado do mundo, desconectado da humanidade com seus problemas e soluções, tristezas e alegrias.

A vida autêntica se dá no encontro com o outro, nos relacionamentos, na troca de conhecimento e de afetos.

Sócrates viveu assim sua filosofia: sempre no encontro, no convívio e no diálogo construtivo procurando saber o essencial para viver do jeito certo.

Sua jornada o levou à profundidade da alma humana para de lá extrair a verdade em forma de conceito, aquela ideia acabada e perfeita de algo significativo para o homem, para sua vida ser a realização do seu próprio pensamento esclarecido, "descontaminado" de incoerências e por isso livre de erros da opinião.

A filosofia é libertadora.

Para Sócrates, uma vida sem filosofar é uma vida indigna de se viver. 

Viver sem filosofar é viver sem viver por completo porque é viver na prisão da ignorância, principalmente se for voluntário, algo indigno ao homem, portador de uma inteligência que o pode conduzir aonde outros seres não podem ir: o mundo da verdade, o mundo do conhecimento verdadeiro.

Então, há dois mundos: o mundo da aparência conhecido pelos sentidos e o mundo da essência conhecido pela razão.  

Sócrates, que nada deixou escrito, fala pela boca de Platão.

No diálogo A República, Sócrates usa de uma alegoria, a que foi usada pelo ministro Mandetta, para ilustrar sua imagem do que é a atividade do filósofo.

Vamos à atividade?

Nela você vai conhecer:

- mais do estilo literário-filosófico de Platão;
- mais sobre a história da filosofia;
- um dos textos mais influentes do pensamento ocidental;
- o uso do mito pela filosofia;
- o sentido libertador da filosofia;
- o conflito entre opinião e conhecimento e sua relação com os valores morais. 

Leia o texto, reflita sobre ele e depois responda as questões propostas.

Para ler o texto, clique sobre esse link: ALEGORIA DA CAVERNA. 


Agora responda às questões abaixo.

1 - O que a caverna e as pessoas amarradas significam? Qual estágio ou tipo de conhecimento essa metáfora dos acorrentados representa?

2 - Quais as outras etapas do conhecimento figuradas na alegoria?

3 - O que o Sol representa? Por que ele ofusca a visão despreparada à luz?

4 - Os prisioneiros matariam quem quisesse libertá-los e essa é uma menção à morte de Sócrates. Por que isso aconteceria? 

5- Para você, qual foi a intenção do ministro da saúde ao usar a alegoria da caverna rebatendo as críticas contra seu trabalho contra a Covid-19? Justifique. 

6 - O que a alegoria da caverna ensina a respeito do conhecimento dos valores morais?


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humanasisabel@gmail.com 

Saia da caverna mas, #FiqueEmCasa!

Questões: Adaptadas de ARANHA, Maria Lúcia e MARTINS, Maria Helena. Filosofando. Moderna. 
Imagens: Casa de Vidro, Pelerin

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Transvaloração dos valores: o além do homem

Ao encerrar nosso processo de análise das origens da moral estudando Nietzsche, vamos ver que o filósofo propõe a transvaloração dos valores, quer dizer, uma reinvenção do significado daquilo que até hoje foi a oposição entre “bem” e “mal”, uma vez que eles não são absolutos e sim relativos, podendo ser recriados pela humanidade. Essa transvaloração pretende restabelecer o equilíbrio de princípios constitutivos da realidade e do homem.

Dois princípios : Um deles representa a ordem, o saber, o intelecto, a razão e está ligado ao deus grego Apolo, por isso se chama “apolíneo”; o outro representa a desordem, a emotividade, a sensualidade, o corpo, irracionalidade e é expressado pelo deus grego Dionísio, sendo o poder “dionisíaco”. O equilíbrio está no balanço entre mente e corpo, os dois são o próprio homem, ser desse mundo físico regido pela dialética ordem-desordem.

A filosofia de Sócrates e Platão (séc. V a.c.), no entendimento de Nietzsche, rompeu o equilíbrio dessas forças afirmando que o homem deve privilegiar a razão (apolíneo), pois ela é sua própria alma, imortal e de outro mundo, o mundo intelectual. Isso tornou o ser humano mais “espiritual” do que ele realmente é, negando a vida material e natural (dionisíaco) em detrimento do intelecto como essência ou alma humana. O “bem” virou produto do raciocínio, atividade própria do intelecto/alma e depois o cristianismo reafirmou sua origem em Deus, “razão” transcendente criadora e absoluta. Assim, o “bem” e outros valores se tornaram absolutos por causa de sua fonte.  

Criaram-se duas morais: a moral dos fracos ou escravos, que afirma que o “bem” está na humildade, na piedade, na obediência, ela é absoluta e provém de Deus; a moral dos fortes ou senhores, histórica e humana, que diz que o “bem” está em viver os prazeres, o poder, a alegria, a criatividade, a vontade.

A moral dos fracos venceu essa disputa histórica, invertendo os valores. O “bom” é aquele que obedece e aquele que manda agora é o “mau”, e o desfrute do “bem” está depois deste mundo. Nietzsche denuncia essa inversão como uma farsa, como niilismo - o idealismo-espiritualismo é o nada, é ausência do ser - uma vingança dos ressentidos desse mundo, incapazes de mudar a realidade e que apelam a Deus, força dominadora em outro mundo transcendente, espiritual e improvável, como o senhor que recompensa o “bom”, o fraco e humilde e pune do “mau”, o forte, o orgulhoso, o poderoso, que só pode ser assim por não depender de ninguém a não ser de si mesmo e, por isso, é livre.  

Nietzsche propõe a restituição do equilíbrio dos valores por meio da transvaloração.
Seria criar uma nova moral fundada no sentido da moral do senhor, mas para todas as pessoas que a quisessem assumir. Ela seria o início da renovação do ser humano e a consolidação da sua autonomia por meio da libertação do jogo de oposição entre “bem” e “mal” como são conhecidos hoje, resultado da luta histórica entre fortes e fracos. Essa moral viria com algumas atitudes:

- um sim à vida: poder de afirmação corajosa da vida com alegria, com amor, existir realizando todas as potencialidades pessoais agora, sem esperar a felicidade em outro mundo ou outra vida além deste;

- criatividade: poder de criar valor onde ele não há, beleza onde ela não existe, inovar os costumes sempre para melhorar a vida e aumentar a liberdade, criar novos significados para tudo;

- liberdade: poder realizar-se sem a necessidade da permissão social ou de qualquer autoridade, ser livre para viver a própria vida, sua racionalidade e emotividade como se quer sem se submeter aos condicionamentos da cultura ou moralismos, questionar tudo e buscar sempre a sua própria verdade.


Deste processo surgiria um novo tipo humano, mais livre, mais altivo, com mais autoestima: Nietzsche o chamou de “além do homem” ou o “super-homem”, que vive o poder de sua vontade ou sua vontade de poder.

1 - Do que você se libertaria para se tornar mais “senhor” de sua própria vida?

2 - Isso daria mais alegria a você agora, nessa vida? Por quê?

3 – Que relação há entre o conceito de autonomia, já estudado, e a filosofia de Nietzsche? 

4 - Na primeira imagem de Nietzsche há uma citação do livro Aurora. Como você interpreta o texto que está no foto? 

imagens: Quora, internet  

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Desenvolvimento humano: fisiologia e ética - terceiros anos

Salve, pessoal! 

Teorias sobre a origem, a genealogia da moral, remontam aos primórdios da cultura. A mitologia como religião já propunha encontrar os traços da moralidade nas fontes divinas instituidoras do ordenamento cósmico e do bem como lei natural. Depois, filosofias desenvolveram suas concepções transitando entre a naturalidade e a historicidade dos valores morais. 

Todo esse conhecimento orienta as discussões éticas hoje e novas abordagens ao problema surgiram e surgem com a ciência incorporando elementos que enriquecem o conhecimento do homem sobre si mesmo e sobre o meio. 

Vamos aprofundar esse debate?

O texto abaixo sugere que a moralidade e a ética tenham sua assimilação associada à fisiologia humana. 

Noções de bem e mal, de certo e errado e suas práticas dependem do amadurecimento neurológico. 

Confira! 
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Senso moral, segundo Yves de La Taille, é a capacidade de conceber os deveres morais e ao mesmo tempo sentir que eles são obrigatórios. É uma atitude na qual os sentimentos e a vontade se unem à razão. Trata-se, portanto, de querer fazer o que deve ser feito.

O senso moral, via de regra, não é o mesmo na criança, no adolescente, no adulto ou na pessoa mais amadurecida. Lawrence Kohlberg (1927-1987) foi um cientista que se dedicou a pesquisar  essas diferenças, e seus estudos sobre os estágios do desenvolvimento do senso moral nos ajudam a compreendê-las.

O senso moral na pessoa adulta se estrutura em torno do respeito às leis que regulam as instituições sociais. O adulto entende que essas regras são convencionadas por um grupo, ou pelo conjunto da sociedade, com o objetivo de garantir a ordem social e os direitos e os deveres de todos os cidadãos. O correto, para um adulto, é cumprir as regras com as quais passou a concordar no momento em que assumiu seus papeis como estudante ou profissional, membro dos diversos grupos de que participa, e cidadão. A motivação de agir certo, para um adulto, provém do fato e ele fazer parte das instituições e de ele querer manter o bom funcionamento delas. Isso lhe traz autoestima e autorrespeito, bem como o respeito dos outros.

Já numa criança, o senso moral não segue as convenções sociais, que ela ainda nem distingue com nitidez, mas imita o comportamento dos adultos e busca as vantagens imediatas que ela pode desfrutar em cada situação. Até uns sete anos, mais ou menos, a criança segue as regras de casa e da escola e as obedece para evitar castigos e para receber os louvores e os prêmios esperados. Típico dessa idade é fazer as coisas "proibidas" quando a autoridade não está presente, pois então não haverá consequências materiais diretas.

Esse exemplo mostra o que Piaget afirmava sobre a heteronomia dessa idade. Para a criança as regras provêm de outras pessoas e é por respeito a essas pessoas que são obedecidas. Ao passo que para o adulto vigora a autonomia, quer dizer, as leis têm valor a partir da sua própria decisão consciente.

A criança pequena ainda não compreende a função geral das regras, e por isso nem pensa em fazer algo fora das regras ou, se um adulto não estiver perto, fora dos seus desejos e necessidades imediatas. Ela obedece porque teme o poder dos adultos e sabe que deve seguir o que eles ensinaram. A partir dos seis ou sete anos a criança amplia suas relações sociais e seu espaço de iniciativas. Além de continuar a seguir as normas, passa a considerar correto satisfazer o seus interesses, desde que não agrida os interesses dos outros. Cresce na criança um senso de trocas equitativas e também de reciprocidade: é bom ajudar aqueles que me ajudam, ou podem me ajudar. Esse é o estágio típico do "olho por olho, dente por dente". A criança vai atrás de vantagens práticas e materiais, mas também toma consciência da necessidade de equilibrar as vantagens com seus colegas.

Entre o universo moral da criança e do adulto situa-se o da adolescência, com suas típicas oscilações. O advento do raciocínio abstrato permite que o jovem comece a entender as razões gerais das regras e passe a considerar as expectativas da família, do grupo ou da sociedade como algo valioso por si mesmo, ainda que demande algum sacrifício pessoal. Os valores de autoetima e lealdade se tornam mais importantes. O jovem busca então manter e justificar sua posição nos grupos que frequenta, sentindo vontade de se identificar e solidarizar com as pessoas do grupo.

O adolescente continua a avaliar que o bom comportamento é aquele que recebe a aprovação dos outros, mas já amplia a duração, as formas e o significado dessa aprovação. Ele ainda forma imagens estereotipadas do que seja o comportamento da maioria, o comportamento "natural". É frequente ele responder, ao ser chamado à atenção: "mas os outros estão fazendo a mesma coisa". Isso ainda é heteronomia, é ir pelos outros. Mas o adolescente também começa a ser capaz de reconhecer a intenção dos agentes, sabendo aliar certas ações pelos princípios éticos e não apenas pelos resultados práticos. A "regra de ouro" - não devo fazer o que não quero que façam a mim - começa a fazer sentido, pois o adolescente é capaz de empatia e de juízo autônomo.

À medida que avança para a formação de um senso moral adulto, o adolescente compreende que é responsável por cumprir suas obrigações em cada grupo do qual faz parte, compreende que os demais integrantes desses grupos contam com sua ação, e sente sua autoestima crescer, pois se identifica como um membro livre e confiável que contribui para a boa convivência entre as pessoas.


ADAS, Sérgio. Propostas de trabalho e ensino de filosofia. p. 72.

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Muito bem! 

Agora volte ao AVA Sala de Aula que tem uma tarefa para você.

Até mais!! 

Imagem: Roberto Araújo Correia: o ser ético
Editado em 10/09/2021