Sua revista escolar de filosofia.
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domingo, 13 de setembro de 2020

Trakinas, nunca mais

Oi, gente!!

Chegamos ao último tipo de amor.

Isso mesmo, depois de conhecer algumas características de Eros e Ágape na tradição filosófica clássica, vamos ao amor que nos falta compreender.

Para chagar lá, uma pequena história cotidiana de ficção, mas que permite marcar bem a característica desse modo de amar.

TRAKINAS, NUNCA MAIS

Início do ano letivo.

Primeiro ano do Ensino Médio e muita expectativa. Colegas novos e tals.

Controlando a insegurança, você espera que coisas boas aconteçam ao longo do ano. Uma delas, vai ocorrer em breve.

É que aquela sua amiga ou o seu amigo do fundamental está na mesma sala que você.

Legal!!

Já sentam juntas ou juntos e tudo começa a parecer mais fácil. Afinal, vocês são pessoas parceiras, de grande amizade, fazem as tarefas juntas, até dividem o lanche se precisar, o que não é nenhum sacrifício.

Outro dia mesmo, dividiram um pacote cobiçado, sonhado de Trakinas.

Na hora da fome, aquela foi a melhor bolacha recheada de todos os tempos na história milenar do universo. É que amigos de verdade são exagerados às vezes e prometem fazer tudo pela parceria, custe o que custar, " nada vai nos separar"!

Tudo muito bem, até que outra surpresa deixa o primeiro dia de aula ainda mais interessante.

É que você vê uma colega ou um colega novo, bonito, passando pelo corredor.

Bastou segundos "filmando" o/a colega e Eros já começou a fazer seu trabalho.

Você entende, né?!

Eros não brinca em serviço, ele provoca paixões do nada e com a rapidez da sua flechinha danada.

Vamos imaginar que esses melhores amigos sejam duas colegas.

Uma diz pra outra:

"- Migaaaaa!! Você viu?! Quem é aquele?!" 
"- Ai, não vi!" 

Agora elas tê uma missão juntas, descobrir quem é o colega novo e interessante da escola. No recreio, elas procuram.

"- Não olha agora, ele tá vindo..." 

Então, ele passa e Eros crava sua flecha ainda mais fundo.

"- Eu preciso saber quem é ele!" 
"- Eu acho que ele era do Adventista... Conheço uma galera lá, vou descobrir pra ti!" 
"- Ai, migaaa, brigaaaadaaaa!" 

Ainda mais unidas, elas dividem outro pacotinho de Trakinas selando o pacto entre fiéis companheiras.

Boralá, a missão segue!

Uma semana depois, a amiga que ficou de descobrir quem era o colega da outra turma, só enrola, não fala nada. Até que numa das saídas da aula, a amiga que se apaixonou pelo colega novo vê a melhor amiga conversando com ele numa esquina e, de longe, ela percebe que a coisa tá contra ela até que ele pega na mão da amiga... Opa! Ex-amiga...

A casa caiu!

Naquela hora, caiu...

No outro dia, elas se encontram na sala. Mas, a amiga traída agora sentou lá no fundo com o fone enterrado no ouvido e a cara como se tivesse lascado uma unha. A falsiane vê, finge que não é nada, senta do lado e pergunta:

"- Oi! Que tu tem? Tu tá bem?"

Pra que fazer isso?...

"- Tu é muuuuito fingida... Não tem vergonha, não?! Veem falar comigo por que, pra zoar da minha cara, é?! 
Eu viiiiiiiii vocêêêês doiiiiiiisss!!!! 
Agora não vem se fazer pro meu lado! 
Não quero mais ver a tua cara, falsaaaa!! 

Você, que vê e ouve a cena de longe e sabe do que se trata, nesse momento chega a uma conclusão certeira:



Trakinas, nunca mais.  



AMOR QUE É FILIA

O que aconteceu nessa história?

Simples, a confiança foi rompida e as amigas agora não têm mais relação uma com a outra, como todos viram.

Isso nos mostra uma característica inconfundível do amor chamado FILIA, que significa AMIZADE: ele precisa de reciprocidade.

A amizade é mantida enquanto há a troca equivalente de afetos ou, em outras palavras, os amigos precisam ser leais uns com os outros, honestos uns com os outros, parceiros uns com os outros, carinhosos uns com os outros, sinceros uns com os outros, etc. Caso contrário, a amizade se rompe.

Veja que Aristóteles (384 a.c - 322 a.c.) em sua mais importante obra sobre ética, a Ética a Nicômaco, diz que a amizade implica em "comportar-se com o amigo como consigo mesmo", quer dizer, ver no outro alguém que merece o mesmo tratamento que uma pessoa gostaria para si própria.

A amizade, então, é uma afeto que gravita em torno do amor e a tradição filosófica por vezes a considera como o legítimo amor humano, pois é amar quem nos ama.

Amar, mesmo quem nos odeia não é amizade, é o amor incondicional, Ágape, um amor para os candidatos a santos, difícil de praticar.

Amar quem não nos corresponde é paixão, participa de Eros, um amor impulsivo, irracional, para os "loucos", fácil de se perder por ele.

Amar quem nos ama é amizade, participa da Filia, um amor sereno, racional porque sabe quais razões para amar, um amor sábio, digno de quem se valoriza e sabe valorizar os outros.

O filósofo Plutarco (47 - 120 d.C) tem uma das suas mais populares obras dedicada à amizade. O tratado moral "Como distinguir o bajulador do amigo" é tipo um manual sobre a verdadeira amizade e uma orientação para reconhecer as pessoas que fingem ser amigas, porém exploram a vaidade dos outros por interesse. O bajulador é aquele "puxa-saco" que parece parça, mas não é. Diz Plutarco:

"Escolhe, como amigos, homens cheios de honra, 
Que nunca tentam alimentar teus vícios;
Mas expulsa de tua corte todo covarde e vil bajulador
Que, querendo te agradar, adula teus caprichos"  

Porque amigos de verdade querem nosso bem assim como queremos o deles. Fazemos o que podemos pelos amigos e vice-versa. 

Então, a Filia tem características próprias:

- é a troca de afetos positivos;
- não se baseia primeiramente em interesses úteis, mas na bondade recíproca, por isso um amigo não usa o outro;
- é intensa no encontro, no convívio entre pessoas que se estimam e se tratam bem enquanto se mantém essa relação de troca positiva de bons sentimentos


Veja só:

Eros é intenso na falta porque manifesta desejo que sofre para possuir aquilo que não tem.

Ágape é intenso em si mesmo porque ama sem esperar retribuição, sem interesse, desejo de posso e paixão.

Filia é intenso no encontro porque se sustenta na troca de afetos positivos em convívio sereno sem envolver desejos de posse ou sentimento incondicional.

"Ela não é o amor que toma (Eros), nem o amor que dá (Ágape). É o amor que se regozija e compartilha." André Comte-Sponville, filósofo. 

Regozijar-se é estar contente.

A amizade contenta e felicita, deixa alegre quem tem amigos, neles pode confiar e por eles ser também confiado.

Quem não quer sentir a alegria de ter amigos?

Quando você publica algo na sua rede social e ninguém curte, como você se sente?

"A amizade é o que há de mais necessário para viver" volta a dizer Aristóteles, pois uma vida sem amigos ele considera vazia e sem sentido, apagada como uma sombra

Pois, bem, agora que falamos de Eros, Ágape e Filia, você já é capaz de diferenciar o que alguém quer dizer quando diz que ama.

Se alguém te disser, "- Nossa, eu aaamoooo", você pode perguntar na hora:

"- Que tipo de amor você ama?"

A pessoa vai ficar pensando...

Mas, você não, você já filosofou um pouco sobre o amor para não ficar sem resposta. 

TAREFA:

Vamos agora para o AVA Sala de Aula que lá tem umas perguntas para vocês responder sobre os tipos de amor e a filosofia, afinal, nossa meta é entender porque a filosofia foi chamada assim, lembram disso?

Até +!

Editado em 15/08/2021

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O pití de uma hora atrás

CONTEÚDO PARA ENSINO HÍBRIDO DE FILOSOFIA - PRIMEIROS ANOS. 

Oi, gente!!

Preparados para continuar nossa investigação sobre o conceito de amor?

Já conhecemos algumas características de Eros e do amor platônico, certo?

Mas, essas não são todas as manifestações do amor.

Lembro a vocês que o amor é único, porém, ele é sentido com características diferentes. Por isso, entender o que é amar, passa pela racionalização do sentimento e isso requer que saibamos de que amor estamos falando quando falamos de amor.

Como de Eros nós já sabemos e se alguém tem alguma dúvida é só procurar as postagens, agora vamos falar daquele amor que a gente às vezes chama de "amor de mãe".

Por que, sor?! 

Ora, porque vocês já sabem que ele existe!

Talvez só não conheçam ele muito bem na teoria.

Então, vamos a uma situação prática para exemplificar.

O PITÍ DE UMA HORA ATRÁS

Você chega em casa da rua correndo.

Passa pela mãe, nem pergunta como ela está e se tranca no quarto.


É que você está se sentindo apaixonado ou apaixonada e quer trocar um whats urgente com o crush que você já não vê e não fala  por eternos 10 minutos.

Lembram que Eros é intenso na falta?


Dez minutos são uma vida para quem está dependente do ser amado...

Bom, quando você vai mandar aquele áudio, você vê que seu pacote de internet acabou.


Bora pro wi-fi!

Mas, o wi-fi está... desligado.

Então, você vai ao encontro da sua mãe e acha ela na cozinha. Ainda sem perguntar como ela está, você dispara rapidinho e sobrando confiança:

"- O que aconteceu com o wi-fi?!"   

Sua mãe, com muita calma responde:

"- A professora me ligou... Ela disse que tu não tá acessando as aulas pelo Classroom. Se tu não tá usando a internet pra estudar, então tu não precisa dela pra mais nada tão importante e eu desliguei." 

Ao ouvir isso, você respira fundo e com muita elegância responde:

"-Eu sabia! Porque eu voltei pra essa casa! Só pra me estressaaaaar!! 

Eu não acredito... Tu não sabe nada, como é que eu vô fazê sem internet?! 

Era só o que faltava, eu devia pegar minhas coisas e nunca mais voltar aqui, isso nãããão ééé uma casa, é um hospício!!" 


Assim, de coração aflito e com aquela raivinha deliciosa, você volta para o quarto.

Bate a porta.
Se tranca.
Chora.
E fica lá.

Uma hora depois, quando já está meio escuro, vencida ou vencido pelo desânimo, pela fome e, lá no fundo da consciência, pela certeza de que sua mãe tem alguma razão, você sai do quarto e vai até a cozinha procurar algo para enganar a pança.

Ao entrar, lá está sua mãe.

Você não diz nada. Ela também não. Ela olha pra você, lê na sua cara que você está procurando uma coisa importante e diz:

"-Teu lanche tá no micro."

Meio sem graça, você pega o rango, começa a comer e pergunta para a mãe algo realmente importante:

"- Mãe, que filme tem hoje na Tela Quente?"

A partir daí, um diálogo se constrói e sua mãe não diz nada, nem você fala nada sobre o pití de uma hora atrás.   

INCONDICIONAL

O que esse caso imaginário nos ensina sobre o amor de mãe?

Que ele é incondicional. 

Amor incondicional é aquele que não impõe condições para ocorrer. Ele ama sem que a pessoa mereça.

O ser amado, é importante porque é amado, e não é amado porque é importante.

Esse tipo de amor é chamado também de fraternal demonstra um ideal de sentimento nem sempre fácil de ser vivido. Em situações mais comuns, ao insultar a mãe ela reagiria também com alguma força e colocaria você no seu lugar. Mas, quando o amor incondicional se manifesta, ele releva que  ama desinteressadamente. Esse amor tem características de sacrifício e de santidade, por isso é o tipo de amor fundamental na cultura cristã, que perdoa todas as ofensas porque o amor está acima de qualquer outra coisa.

É o amor de Deus, já que é um amor que renuncia a si mesmo em favor do ser amado sem necessitar dele, mas porque quer amá-lo simplesmente.

Quem consegue dizer aos inimigos, sofrendo na mão deles "todos estão perdoados porque não sabem o que fazem"? Ou então ensina a oferecer o outro lado do rosto para levar outro tapa, sem retribuir o mal com o mal, mas retribuindo o mal com o bem?

Nada simples.

Por isso é o amor também conhecido como caridade.

Quem pratica a caridade faz um gesto de amor sem esperar retorno.

Esse jeito de amar, ama quem não merece ou não tem com retribuir porque entende e sente que o amor tem valor maior e pode restaurar e conservar a harmonia do sujeito que ama, consigo e com o meio a sua volta. Ele é a certeza da calma, da ordem e de que só amando a vida e a realidade como ela é, mesmo que ela seja difícil e contraditória, é que se mantém a paz na consciência e se garante o convívio construtivo e inclusivo.

Sem precisar ser correspondido, esse amor é totalmente livre, já que não depende de nada.

O nome desse amor, para os gregos, é ÁGAPE.

Então, ágape tem algumas características:

- é desinteressado;
- é incondicional;
- é intenso em si mesmo; 
- dispensa reciprocidade; 
- é livre;
- é inabalável; 
- é donativo;
- é sublime. 

Assim, quando se fala em amor de mãe, de pai, de irmão, se está dizendo que o amor é incondicional ou seja, mesmo que em algum momento haja uma crise, uma treta, o amor segue imaculado, não diminui em nada e sempre acolhe o outro sem se sentir ofendido.

Diferente de Eros, esse não é um amor carente, mas abundante, que se doa sem pedir qualquer coisa em troca. Não sofre, poque não deseja, apenas ama sem exigência. 

Mas, esse é o amor que define o sentido do termo filosofia?

Acho que ainda há mais para descobrir sobre essa loucura chamada amor...

Gostou?!

Então, vamos a uma atividade!

Volte ao AVA Sala de Aula e responda com amor a tarefa atribuída...💛

Te +!

charles-ddalberto@educar.rs.gov.br

Editado em 12/07/21

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Você tiraria a foto?

Olá, pessoal!

Tudo certo com vocês?

Viram que atitude a da María?! 

Não conhece a história? Clique no link acima para ver e depois continue lendo essa postagem que ela vai fazer mais sentido. 

Como vocês leram, a atitude dela é uma daquelas que fazem a gente questionar quais o limites da nossa liberdade de ação, da nossa atividade profissional, da nossa conduta pessoal...

Com isso eu gostaria de perguntar: se você tivesse a chance de tirar um foto histórica, mas para isso, não pudesse interferir na cena, você tiraria a foto?
Clube do Bang Bang

Pense bem!

Claro que alguns devem ter se justificado: bom, eu tiraria, já que se trata de uma imagem importante.

Mas, e se na cena uma pessoa estivesse correndo risco de vida?

Você tiraria a foto ou salvaria a pessoa?

Se salvar a pessoa, perde o registro.
Se registrar, perde a pessoa.

E se você achar que a pessoa fosse ser perdida de qualquer maneira?

Valeria a foto histórica?

Bom, esse seria um dilema e tanto para nós decidirmos qual a melhor ação e com isso debater ética se ele fosse apenas um caso hipotético.

Porém, ela se refere a um caso real.

Envolveu um fotojornalista prestigiado e deu a ele um dos maiores prêmios do jornalismo, o Pulitzer.
Foto de Kevin Carter 

O nome dele é Kevin Carter.

Portanto, vou deixar vocês conhecerem a história dele, que envolve cobertura de guerra, problemas emocionais e um intenso debate em torno da atividade jornalística  e de repórteres em zonas de conflitos armados. (clique aqui para ler sobre a foto e Kevin).

A história de Carter é retratada no cinema.

Se você quer ver um bom filme, procure por Repórteres de Guerra, The Bang Bang Club, de 2010.

Desse modo, você pode sentir um pouco mais daquilo que está envolvido quando temos que lidar com nossos valores e ainda assim tomar grandes decisões que colocam à prova nosso senso moral e nossa consciência moral.

Depois, leiam o texto sobre senso moral e consciência moral ( clique aqui) para ver se você entende melhor a diferença entre os dois. Um está ligado aos sentimentos diante de situações boas ou más e o outro tem relação com as decisões boas ou más tomadas e justificadas por cada pessoa. 

Atualizada em 24/03/22

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Desenvolvimento humano: fisiologia e ética - terceiros anos

Salve, pessoal! 

Teorias sobre a origem, a genealogia da moral, remontam aos primórdios da cultura. A mitologia como religião já propunha encontrar os traços da moralidade nas fontes divinas instituidoras do ordenamento cósmico e do bem como lei natural. Depois, filosofias desenvolveram suas concepções transitando entre a naturalidade e a historicidade dos valores morais. 

Todo esse conhecimento orienta as discussões éticas hoje e novas abordagens ao problema surgiram e surgem com a ciência incorporando elementos que enriquecem o conhecimento do homem sobre si mesmo e sobre o meio. 

Vamos aprofundar esse debate?

O texto abaixo sugere que a moralidade e a ética tenham sua assimilação associada à fisiologia humana. 

Noções de bem e mal, de certo e errado e suas práticas dependem do amadurecimento neurológico. 

Confira! 
___________________________________________________

Senso moral, segundo Yves de La Taille, é a capacidade de conceber os deveres morais e ao mesmo tempo sentir que eles são obrigatórios. É uma atitude na qual os sentimentos e a vontade se unem à razão. Trata-se, portanto, de querer fazer o que deve ser feito.

O senso moral, via de regra, não é o mesmo na criança, no adolescente, no adulto ou na pessoa mais amadurecida. Lawrence Kohlberg (1927-1987) foi um cientista que se dedicou a pesquisar  essas diferenças, e seus estudos sobre os estágios do desenvolvimento do senso moral nos ajudam a compreendê-las.

O senso moral na pessoa adulta se estrutura em torno do respeito às leis que regulam as instituições sociais. O adulto entende que essas regras são convencionadas por um grupo, ou pelo conjunto da sociedade, com o objetivo de garantir a ordem social e os direitos e os deveres de todos os cidadãos. O correto, para um adulto, é cumprir as regras com as quais passou a concordar no momento em que assumiu seus papeis como estudante ou profissional, membro dos diversos grupos de que participa, e cidadão. A motivação de agir certo, para um adulto, provém do fato e ele fazer parte das instituições e de ele querer manter o bom funcionamento delas. Isso lhe traz autoestima e autorrespeito, bem como o respeito dos outros.

Já numa criança, o senso moral não segue as convenções sociais, que ela ainda nem distingue com nitidez, mas imita o comportamento dos adultos e busca as vantagens imediatas que ela pode desfrutar em cada situação. Até uns sete anos, mais ou menos, a criança segue as regras de casa e da escola e as obedece para evitar castigos e para receber os louvores e os prêmios esperados. Típico dessa idade é fazer as coisas "proibidas" quando a autoridade não está presente, pois então não haverá consequências materiais diretas.

Esse exemplo mostra o que Piaget afirmava sobre a heteronomia dessa idade. Para a criança as regras provêm de outras pessoas e é por respeito a essas pessoas que são obedecidas. Ao passo que para o adulto vigora a autonomia, quer dizer, as leis têm valor a partir da sua própria decisão consciente.

A criança pequena ainda não compreende a função geral das regras, e por isso nem pensa em fazer algo fora das regras ou, se um adulto não estiver perto, fora dos seus desejos e necessidades imediatas. Ela obedece porque teme o poder dos adultos e sabe que deve seguir o que eles ensinaram. A partir dos seis ou sete anos a criança amplia suas relações sociais e seu espaço de iniciativas. Além de continuar a seguir as normas, passa a considerar correto satisfazer o seus interesses, desde que não agrida os interesses dos outros. Cresce na criança um senso de trocas equitativas e também de reciprocidade: é bom ajudar aqueles que me ajudam, ou podem me ajudar. Esse é o estágio típico do "olho por olho, dente por dente". A criança vai atrás de vantagens práticas e materiais, mas também toma consciência da necessidade de equilibrar as vantagens com seus colegas.

Entre o universo moral da criança e do adulto situa-se o da adolescência, com suas típicas oscilações. O advento do raciocínio abstrato permite que o jovem comece a entender as razões gerais das regras e passe a considerar as expectativas da família, do grupo ou da sociedade como algo valioso por si mesmo, ainda que demande algum sacrifício pessoal. Os valores de autoetima e lealdade se tornam mais importantes. O jovem busca então manter e justificar sua posição nos grupos que frequenta, sentindo vontade de se identificar e solidarizar com as pessoas do grupo.

O adolescente continua a avaliar que o bom comportamento é aquele que recebe a aprovação dos outros, mas já amplia a duração, as formas e o significado dessa aprovação. Ele ainda forma imagens estereotipadas do que seja o comportamento da maioria, o comportamento "natural". É frequente ele responder, ao ser chamado à atenção: "mas os outros estão fazendo a mesma coisa". Isso ainda é heteronomia, é ir pelos outros. Mas o adolescente também começa a ser capaz de reconhecer a intenção dos agentes, sabendo aliar certas ações pelos princípios éticos e não apenas pelos resultados práticos. A "regra de ouro" - não devo fazer o que não quero que façam a mim - começa a fazer sentido, pois o adolescente é capaz de empatia e de juízo autônomo.

À medida que avança para a formação de um senso moral adulto, o adolescente compreende que é responsável por cumprir suas obrigações em cada grupo do qual faz parte, compreende que os demais integrantes desses grupos contam com sua ação, e sente sua autoestima crescer, pois se identifica como um membro livre e confiável que contribui para a boa convivência entre as pessoas.


ADAS, Sérgio. Propostas de trabalho e ensino de filosofia. p. 72.

_________________________________________________________

Muito bem! 

Agora volte ao AVA Sala de Aula que tem uma tarefa para você.

Até mais!! 

Imagem: Roberto Araújo Correia: o ser ético
Editado em 10/09/2021

domingo, 20 de novembro de 2016

Tempo ou dinheiro?

Questão dourada da filosofia, ser feliz pode ser apontado como meta de vida, para todos.

Por isto, voltamos a falar da felicidade. 

Contudo, encontrar o significado para ela talvez seja uma das mais escorregadias tarefas.

"Todos aspiramos à felicidade, mas quanto a conhecer seu caminho, tateamos como nas trevas.” É o que nos sugere Sêneca. 

E neste tatear, podemos imaginar que a felicidade é possuir tudo o que se quer. No entanto, não se pode ter tudo. E se fosse possível ter, somente com a condição de não querer mais nada. Do contrário, continuar a desejar algo é querer possuir o que ainda não se tem e que trará a felicidade. É confessar-se infeliz. 

O tédio da conquista resultante da perda do interesse por já possuir o que se queria leva ao novo desejo e à perseguição à felicidade.

Como viver?

A filosofia aposta na sabedoria, no saber viver e isto implica conhecimento e posse da verdade.

Como diz Aristóteles, engana-se quem acredita que a felicidade seja diversão. Ela vem com atitudes virtuosas e isto para o homem é agir esforçadamente com a razão acima de tudo. Tem a ver com viver com consciência uma vida que se aprova, uma vida com sentido e alegria por ela ser como é quando aquilo que se faz, na maior parte do tempo, produz bem-estar autêntico, jamais prejuízos como os decorrentes dos vícios, desvios ou inconsequências. Se não fosse assim, venceria o cinismo.

Tem a ver com fazer o que se gosta com aprovação ética e gostar do que se está fazendo, desejando e possuindo numa relação de apreço ou amizade (filia) pela vida.

Amar o que se tem ou o que se é a cada instante, sem nada esperar além do que há e que pode não vir a ser, pois o que há é o presente que satisfaz, o real que completa, a verdade que confirma a verdade daquilo que se vive. 

 


Uma reportagem do jornal El País (clique no link para ler) se propõe a analisar a felicidade sob a seguinte questão: mais dinheiro ou mais tempo faz feliz?

E o que mais?


Uma leitura fácil e agradável para entender o percurso filosófico sobre a felicidade é o livro de André Comte-Sponville, A felicidade, desesperadamente. 




Quer ser feliz?
Desesperadamente?

imagens: Filosofósforos, Google 

sábado, 15 de outubro de 2016

Consciência, responsabilidade e respeito: lições práticas para a vida. (TRABALHO DE ENSINO RELIGIOSO APENAS PARA TERCEIROS ANOS)



Nossa jornada pelo Ensino Religioso nos permitiu uma visão teórica ampla a respeito do fenômeno da religião. 

Percebemos suas características sociológicas, antropológicas, históricas, étnicas, psicológicas, médicas, legais e filosóficas.

Isto nos fez ver as religiões de cima, fora de qualquer discussão sobre particularidades doutrinárias, para encontrar um núcleo comum na espiritualidade: a relação homem/sagrado.

Ao completar nosso percurso, cada um poderá olhar para a sua própria religião e para as outras com mais conhecimento e com a possibilidade de encontrar razões mais fortes para a própria fé ou mesmo para o seu ceticismo, porém, com respeito a todas as crenças.  Esta é uma postura ética que demonstra educação e compreensão de um princípio maior que deve unir todas as pessoas: o amor com igualdade.

Vejamos uma passagem de Immanuel Kant:


“Dever e obrigação são as denominações exclusivas que devemos dar à nossa relação com a moral.” (Crítica da Razão Prática)

O filósofo alemão nos diz que o único dever que temos é respeitar a lei moral.

A lei moral é a fazer somente aquilo que poderia se transformar em um mandamento para todas as pessoas em todos os tempos.

E quem nos diz qual é a lei moral?

Nossa própria razão.
 

Ela nos diz que o ideal maior de bondade é fazer o bem por fazer, sem interesse. Fazer o bem por amar o bem e nada mais.


É pensar qual o melhor meio de realizar no mundo os ideais de bondade que gostaríamos tanto de viver em toda a sua pureza.




As religiões nos ajudam a entender o bem e nos orientam no que fazer, cada uma a seu modo.  Para entendê-las, às vezes é preciso refletir e encontrar lógica nas práticas e mandamentos.

“Todas as doutrinas bíblicas e religiosas que conflitem com a razão devem ser interpretadas alegoricamente, como maneiras de expressar noções morais que ganham vivacidade, e não validade em sua formulação religiosa.” (Roger Scruton, Kant)

Em outras palavras: ou aceitamos tudo o que as religiões dizem sem refletir, ou buscamos compreender a profunda sabedoria das religiões pensado melhor naquilo que elas afirmam.

É a diferença entre a postura fanática e a fé crítica.

Pensar com critérios expande a consciência e reforça a responsabilidade, onde cada um cuida melhor de si mesmo e dos outros com solidariedade.

TRABALHO

Após ter lido a introdução de apoio, reflita e escreva um texto pessoal onde você vai responder as seguintes questões:

- o que você acha dos atritos motivados por diferenças religiosas? 


- existe algo acima das diferenças religiosas que deve ser colocado em primeiro lugar? Isto poderia ser ensinado? De que maneira?


- as aulas de Ensino Religioso contribuíram para você aprofundar sua opinião a respeito da cultura religiosa e seus valores básicos? Em que sentido?

SEU TEXTO DEVE SER POSTADO AQUI NO BLOG COMO COMENTÁRIO A ESTA POSTAGEM (ABAIXO DO TEXTO, NA CAIXA DE TEXTO “COMENTÁRIOS”) ATÉ  17/11.

INSTRUÇÕES PARA PUBLICAÇÃO:

- VISUALIZE A BARRA COM FUNDO BRANCO AO FINAL DA POSTAGEM;

- NELA ESTÁ ESCRITO: “POSTADO POR CHARLES DALBERTO ÀS xx:xx (HORA)” (2, 3, 4, ETC.) COMENTÁRIO(S):” (COR LARANJA ESCURO)

- CLIQUE EM CIMA DA PALAVRA “COMENTÁRIO”

- VAI ABRIR UMA CAIXA DE TEXTO;

- COLOQUE SEU COMENTÁRIO NELA COM NOME COMPLETO E TURMA;

- CLIQUE EM “PUBLICAR” (BOTÃO AZUL);

- PRONTO, SUA POSTAGEM SERÁ ANALISADA E VALIDADA.

Bom trabalho!

Imagems: pinterest, frases do bem, habeas mentem

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Por que filosofar?

A

                                     
       filosofia é




o intelecto respirando.





imagem: Andy Singer

terça-feira, 7 de abril de 2015

Conclusão: Em busca da Felicidade, um voo do pensamento

Ir às alturas requer esforço.
Porque, não tendo asas, voar, para o homem, é pensar

Pensar imaginando.
Pensar filosofando

O voo da razão com as asas da filosofia é imagem que simboliza chegar ao limite possível do entendimento. 

"Na verdade, tive que voar ao mais alto para tornar a encontrar a fonte da alegria." Nietzsche, Assim falou Zaratustra, Parte II. 



Ou como diz Hegel, o pássaro da Minerva, que representa a sabedoria, só alça voo quando cai a escuridão. Quando se chega ao fim da história para compreender o que ela significa. 



Nossa história, até aqui, foi buscar um sentido comum para o termo felicidade

Para isto, tivemos que exercitar as asas do pensamento na reflexão. 
Nos tornarmos críticos, analíticos a procura de uma síntese. 

Como foi apresentado no post anterior a este, percorremos duas linhas básicas do entendimento daquilo que seja a natureza humana na tentativa de compreender os motores da nossa ação para a geração daquele estado anímico que para nós significa sermos felizes. 

A proposta das aulas era percorrer o caminho rumo ao conceito de felicidade explorando as dimensões estéticas e éticas do homem, examinar propostas de alguns filósofos na definição do termo e, ao final, ousar definir a felicidade a partir do próprio jeito de entendê-la, com as próprias palavras, mesmo pegando emprestadas ideais já filosofadas. 



A rota do nosso voo foi sinalizada para evitar que alguém se perdesse na imensidão dos raciocínios, sem conseguir planar seguro. 


Estabelecemos como sinais que: 




- A felicidade deve ser um estado contínuo de um tipo excelente de prazer conforme a natureza humana. 

- Que o prazer dá sentido às ações. 

- Que o homem é composto de corpo e mente racional e emotiva e que isto reflete a estética e a ética. 

- Que a ética dá significado à estética, pois o intelecto explica os impulsos do corpo e propõe os limites do certo e do errado nas ações.

- Que a felicidade é o prazer obtido com ações que conservam e melhoram a vida física e que garantem a integridade moral, sem comprometer este mesmo exercício por parte das outras pessoas. 

Ao voo, ao trabalho

Aceito o desafio de se aventurar nas alturas filosóficas, os alunos da turma 306 da Escola de Ensino Médio Santa Rita de Cássia sempre se mostraram corajosos. Afinal, eles tiveram que trabalhar elementos novos e aprimorar juízos a respeito do assunto e sobre as próprias crenças para conseguir se desprender da terra, dos significados já construídos ao longo de suas experiências, e tentar este pequeno, mas relevante voo na filosofia. 

Distribuídos em grupos, os estudantes debateram o tema.

Argumentaram.
Problematizaram. 

Encontraram dificuldades com a abstração, este ar rarefeito do pensamento conceitual. 
Enfrentaram as barreiras da opinião uns dos outros. 

Sem maiores vertigens, seguiram determinados e, com alguma ajuda, conseguiram o equilíbrio para se manterem no eixo até desfrutarem das correntes de vento dos próprios pensamentos

E o que eles disseram? 




"Felicidade é algo obtido por nossas ações onde conseguimos pensar e saber agir de uma forma onde conseguimos estar bem com nós mesmos" 


Guilherme Dutra, Nadine Weiler, Tayna De La Vega. 





"Felicidade é realizar os sonhos, cumprir metas, alcançar os objetivos, mesmo que seja nas coisas simples da vida, mas, acima de tudo, conquistar isto sem atrapalhar a conquista do próximo." 


Hamanda Fausto, Célia Pimentel, Vanessa Moraes, Felipe Medeiros, João Paulo Gomes, Robson Cruz





"Felicidade é algo com definições múltiplas, não prevista, mas com manual de moral a seguir fazendo com que a felicidade seja algo contínuo, diferente do prazer." 

Norton Martins, Alessandro do Amaral, Dieyson dos Santos, Vinicius Oliveira, Marciele Vargas Bragança, Gabriel Vargas Bragança





Estar bem com a própria consciência no atendimento das ambições. 

"O essencial para nossa felicidade é a nossa condição íntima, de que somos donos." Epicuro

Satisfazer as necessidades de prazer do corpo e do intelecto buscando acrescentar nesta mistura o bem correspondente à natureza humana

E qual esta natureza? 

Eis o debate de fundo quando se discute a felicidade. 

Esta concepção vai nortear a busca pela felicidade. Culturas mais estéticas, materialistas, hedonistas, individualistas, narcisistas, egoístas ou então idealistas, racionalistas, espiritualistas, etc., vão propor modos correspondentes aos próprios valores, estes relacionados à causa e à finalidade da existência humana, para se viver uma vida feliz. 

A felicidade do monge se distingue, em princípio, da felicidade do executivo

Imerso na cultura, o sujeito precisa responder a si: quem sou? 
Ao se reconhecer, necessita ainda de algo: de autonomia para buscar sua felicidade. 

E isto se consegue com liberdade
Liberdade que se mantém como relação em comunidade. Para tê-la, é preciso dá-la. Na reciprocidade do cuidado para com a liberdade, cada um pode ser e fazer aquilo que felicita, no limite do convívio respeitoso e construtivo. 

Promessa é dívida

No início do módulo, o trato era que quando chegássemos ao encerramento da unidade, avaliaríamos as conceitualizações da turma e lançaríamos também uma minha, que se tornaria nossa, própria. Ela ficou assim: 


"Felicidade é a sensação produzida pela relação positiva e contínua com as coisas materiais e imateriais que dão a mim a alegria e a certeza de eu ser quem sou." 


Satisfeito? 

imagens: Charles Dalberto, danbrazil, wikipedia

terça-feira, 31 de março de 2015

Unidade didática: Em busca da Felicidade

A questão da felicidade significa a procura por ela. 

Questionando sobre o que é a felicidade podemos, quem sabe, encontrar um termo comum conceitual que nos permita saber do que estamos falando uns aos outros ao nos dizermos felizes. 

Será que é possível? 

Definir a felicidade tem sido uma das mais espinhosas tarefas da filosofia. 
Se trata de produzir o significado de um significante quando ambos são móveis

O valor semântico do termo felicidade parece ter extensão e intensão ilimitadas. As coisas que dão felicidade e o que significa a sua intensidade são irrestritas dificultando atingir denotação e conotação precisas. 

Quantas coisas são precisas para dar felicidade?
O que estas coisas precisam ser? 

A felicidade depende de condições que estão em constante transformação, fuga, escapando do homem. Dwitgh Furrow diz que "ser feliz é manter ativamente o que é vulnerável." 

O vulnerável é frágil, é instável, tende a acabar e cada pessoa necessita se esforçar para reter o que lhe faz bem. 

Bem?! 

Sim, a felicidade é um bem. 
Então, está respondido! 

Será mesmo? 

Pense melhor... Diga o que é o bem. Ele é o mesmo para todos? Se alcança da mesma forma? 



Afinal, o que é o bem? 
Quem o institui? 
O bem é sempre a mesma coisa ou muda? 
Ele é universal ou particular? 

Cada filósofo vai propor caminhos até a felicidade que podem se complementar ou não. 

Contudo, uma coisa é certa: não há receitas de felicidade prontas.

Se houvesse, já não seríamos todos felizes? 
Temos alegrais e tristezas na vida. 

Motivados por esta árdua questão que intriga filósofos, psicólogos, médicos, juristas, sociólogos, religiosos e pode-se dizer que intriga todos os que se deparam com o tema, os alunos da turma 306 da Escola Municipal de Ensino Médio Santa Rita de Cássia, em Gravataí, na Grande Porto Alegre, estão investigando o que seja a felicidade. 

O trabalho está sendo desenvolvido em conjunto com o professor Paulo Airton Hartmann. São três encontros para trabalhar um grande volume de informações que abaixo vêm condensadas. No final, os alunos vão se aventurar a compor uma definição própria de felicidade a partir dos elementos apresentados à reflexão. Assim eles terão passado pela problematização, pela argumentação e pela conceitualização, fixando elementos essenciais à aprendizagem filosófica. 


O resultado apresentado pelos alunos a respeito do tema que estamos conduzindo estará aqui no blog. Alguns pensamentos dos estudantes já estão no publicados como comentários no post O prazer de Epicuro para serem conferidos. 

EM BUSCA DA FELICIDADE

A felicidade pode ser compreendida como a razão última do viver e do filosofar. Como a vida e a filosofia são incertas e incompletas, assim também é a felicidade. (Charles Dalberto).

Só o homem pode ser feliz. Então, precisamos encontrar no ser humano as razões da felicidade. Não é tarefa fácil.

“Todos aspiramos à felicidade, mas, quanto a conhecer seu caminho, tateamos como nas trevas.” Sêneca

Precisamos de guias. Eles são o INSTINTO/EMOÇÃO e a RAZÃO e vão nos levar às dimensões ESTÉTICAS e ÉTICAS do homem.

ESTÉTICO é tudo o que se relaciona com o corpo. O homem é um ser material vivo, portanto, biológico; é um animal. O corpo é fonte de necessidades que produzem desejos; os desejos estimulam a vontade; a vontade leva à ação.

AMOR ERÓTICO: carência daquilo que faz feliz, desejo que procura satisfação, paixão.
AMOR FILIA: felicidade enquanto se está junto com a coisa amada, amor da amizade.

O homem age para buscar satisfação. Um parâmetro para saber o que procurar e o que rejeitar são as sensações de PRAZER e DOR.

“Chamamos ao prazer o princípio e fim do viver feliz. [...] Prazer e dor são duas afecções que encontramos em todos os animais; uma favorável e outra contrária: critério da escolha e da aversão.” Epicuro 

UTILITARISMO: cálculo dos benefícios e dos prejuízos das ações para ter o MÁXIMO DE PRAZER e o MÍNIMO DE DOR.

HEDONISMO: doutrina do prazer. O hedonismo se torna problema quando pelo prazer há excessos e prejuízos individuais e coletivos. Para evitar isto é preciso ser PRUDENTE. Prudência é VIRTUDE, qualidade positiva que dá PODER AO HOMEM ao dar a ele SABEDORIA.

“As virtudes acham-se, pois, por natureza, unidas à vida feliz e a vida feliz é inseparável das mesmas” Epicuro

O homem é mais do que um animal. Ele RACIOCINA. Não age só por desejo, por INSTINTO, por EMOÇÃO, mas reflete para agir do MELHOR MODO.

“Faze a seguinte interrogação a respeito de cada desejo: que me acontecerá se se realizar o que quer o meu desejo?”Epicuro

Na busca da sua satisfação, o homem pensa o que é o BEM e cria razões ÉTICAS para agir certo e ser feliz.

 “[...]a vida conforme ao intelecto[...] esta é a vida mais feliz.”Aristóteles

Porque para Aristóteles cada espécie tem um tipo de prazer. O tipo do prazer do homem é conforme sua finalidade, que é pensar e ser SÁBIO. A SABEDORIA É O PRAZER SEM FIM!

Pensando, o homem pode concluir que há um BEM MÁXIMO e que este BEM pode ser DEUS. Viver conforme o que MANDA este bem máximo produziria a felicidade. Amar a vida, aos outros, ser virtuoso, aplicar talentos pelo bem coletivo, cuidar de si e do mundo.

AMOR ÁGAPE: amor fraterno e incondicional, sem interesses, amor doado e divino, amor “santo”.
 
“[...] os homens bons são sempre felizes e infelizes os vis; e a felicidade dos primeiros (os bons) não difere da felicidade divina.” Zenão de Cítio

DEUS não pode ser demonstrado, apenas provado PELA RAZÃO e aceito pela FÉ. Mas isto NÃO ANULA A ÉTICA!

Epicuro é MATERIALISTA e tem FÉ que a vida é somente biológica. Mas isto também NÃO ANULA A ÉTICA!

A ÉTICA são REGRAS sociais gerais que permitem CONVIVER EM HARMONIA E EM PAZ, cada um PROCURANDO A SUA FELICIDADE com a LIBERDADE possível entre todos.

Buscar a FELICIDADE envolve refletir sobre QUEM SOU EU e quais são meus VALORES, DIREITOS E DEVERES:

- O que é o BEM e o que é o MAL, o que é CERTO e o que é ERRADO para mim e para MINHA COMUNIDADE, desde a minha casa ao mundo todo. O que necessito enquanto um ser ÉTICO?

- O que causa prazer e o que causa dor. O que preciso e POSSO TER enquanto um ser ESTÉTICO?

CONHEÇA-TE A TI MESMO! Sócrates, frase do Templo de Apolo em Delfos.

“A felicidade envolve um julgamento de aprovação sobre nossa vida, um julgamento de que a maioria de nossas necessidades está sendo satisfeita, e que vale a pena ter tais quereres.” Dwight Furrow



Vamos tentar definir melhor o que seja a FELICIDADE? 


imagens: twitter, pgfilo, louge.obviousmag, imgarcade, biografiasyvidas, asboasnovas, mensagenscomamor, Nilza Scotti