Sua revista escolar de filosofia.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Você tiraria a foto?

Olá, pessoal!

Tudo certo com vocês?

Viram que atitude a da María?! 

Não conhece a história? Clique no link acima para ver e depois continue lendo essa postagem que ela vai fazer mais sentido. 

Como vocês leram, a atitude dela é uma daquelas que fazem a gente questionar quais o limites da nossa liberdade de ação, da nossa atividade profissional, da nossa conduta pessoal...

Com isso eu gostaria de perguntar: se você tivesse a chance de tirar um foto histórica, mas para isso, não pudesse interferir na cena, você tiraria a foto?
Clube do Bang Bang

Pense bem!

Claro que alguns devem ter se justificado: bom, eu tiraria, já que se trata de uma imagem importante.

Mas, e se na cena uma pessoa estivesse correndo risco de vida?

Você tiraria a foto ou salvaria a pessoa?

Se salvar a pessoa, perde o registro.
Se registrar, perde a pessoa.

E se você achar que a pessoa fosse ser perdida de qualquer maneira?

Valeria a foto histórica?

Bom, esse seria um dilema e tanto para nós decidirmos qual a melhor ação e com isso debater ética se ele fosse apenas um caso hipotético.

Porém, ela se refere a um caso real.

Envolveu um fotojornalista prestigiado e deu a ele um dos maiores prêmios do jornalismo, o Pulitzer.
Foto de Kevin Carter 

O nome dele é Kevin Carter.

Portanto, vou deixar vocês conhecerem a história dele, que envolve cobertura de guerra, problemas emocionais e um intenso debate em torno da atividade jornalística  e de repórteres em zonas de conflitos armados. (clique aqui para ler sobre a foto e Kevin).

A história de Carter é retratada no cinema.

Se você quer ver um bom filme, procure por Repórteres de Guerra, The Bang Bang Club, de 2010.

Desse modo, você pode sentir um pouco mais daquilo que está envolvido quando temos que lidar com nossos valores e ainda assim tomar grandes decisões que colocam à prova nosso senso moral e nossa consciência moral.

Depois, leiam o texto sobre senso moral e consciência moral ( clique aqui) para ver se você entende melhor a diferença entre os dois. Um está ligado aos sentimentos diante de situações boas ou más e o outro tem relação com as decisões boas ou más tomadas e justificadas por cada pessoa. 

Atualizada em 24/03/22

domingo, 14 de dezembro de 2014

Trabalho acadêmico: A aprendizagem como um processo individual e coletivo

Postei no meu outro blog, o Capinando, uma reflexão sobre os rumos recentes de alguns sistemas de ensino no Brasil, no caso, o da rede estadual do Rio de Janeiro.

O texto compartilha opiniões do professor de Jornalismo Cristiano de Sales e foi publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

Vale a pena ler, pois aponta uma tendência política para a educação que não está restrita ao Rio. A crítica surgiu a partir da publicidade e mostra o quanto a comunicação reproduz significados da estrutura. Se eles não são bons, afetam a todos e modo prejudicial.

Como objetivo maior, a lei brasileira orienta para uma formação cidadã do aluno, como sempre repetimos. No processo de ensinar e aprender, lida-se com sujeitos e padronizar metodologicamente o ensino é um caminho que já se mostrou autoritário, controlador e pouco democrático.  

Para contribuir com a análise a partir do ponto de vista de Sales, trago aqui um texto produzido para a pós-graduação.

Veja se gosta!


A APRENDIZAGEM COMO UM PROCESSO INDIVIDUAL E COLETIVO

Charles da Silveira Dalberto
Professora Denise Voltolini
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - PÓS
Pós-graduação em Docência no Ensino Superior – Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem 01/06/2013

Estudantes de uma mesma disciplina podem variar no desempenho escolar. Isto ocorre porque o processo de aprendizagem diverge e indivíduos diferentes aprendem de modo distinto, onde a relação aprendiz/conhecimento se dá sob a interferência das características pessoais do aluno, de seus valores culturais e aptidões cognitivas e também da maneira como o professor interfere positiva ou negativamente na construção do saber. Pelo lado dos alunos, o processo cognitivo resulta de variantes que vão desde os aspectos biológicos aos sociais.

Sobre os primeiros, cada período da vida é marcado por fases do amadurecimento intelectual e emocional que determinam o modo como cada pessoa apreende as informações do meio e as elaboram em si mesmas transformando-as em conhecimento e na consequente aprendizagem. É o que estudam ciências como a neurociência e a psicologia aplicada à aprendizagem. Com o auxílio das observações realizadas por estas áreas, pode-se compreender melhor a maneira como se aprende. De que forma os estudantes executam seus métodos próprios de investigação, o que se chama de estilos cognitivos. Dois grupos básicos podem ser apontados: o daqueles que procuram o saber, sendo ativos e independentes, levados por estímulos internos a formular o conhecimento de modo construtivo, reelaborando esquemas que permitem a transformação necessária para o aprendizado; e o dos estudantes com perfil de maior dependência externa, ou seja, passivos ao conhecimento transmitido e aos estímulos do meio, mais inclinados a respostas programadas, reforçadas pelo agente transmissor do saber, no caso, o professor ou instrutor. Da parte de quem ensina, é fundamental entender quais as principais variáveis que interferem na aprendizagem. Um professor ciente das teorias cognitivas pode intervir com maior eficácia no processo pedagógico com o objetivo de proporcionar aos alunos um desenvolvimento harmônico do ensino, levando-os à meta, que é o saber. Ao trabalhar com alunos de estilos cognitivos diferentes, o professor pode usar como ferramentas as teorias de aprendizagem.
 
Úteis, elas orientam na adoção de técnicas didáticas e ainda ajudam aos próprios aprendizes a se autoconhecerem melhor, proporcionando descobertas que podem conduzir à automotivação pelo prazer do estudo e à metacognição, por exemplo, para uma relação mais livre e produtiva com o trabalho de estudo. Como caso específico, pode-se citar uma aula de Jornalismo para o Ensino Médio de uma escola pública onde se trabalha o perfil editorial de diferentes jornais impressos. O professor pode propor que os estudantes avaliem as notícias políticas de alguns veículos de comunicação indicados por ele. Na instrução, pode orientar os estudantes a perceber a carga editorial presente na estrutura do texto e na seleção das imagens fazendo uma análise semiológica. Porém, o professor consciente da realidade social de seus alunos e dos interesses predominantes na faixa etária, pode traçar limites flexíveis quanto à editoria escolhida. Em vez de impor a análise do conteúdo político do noticiário, o professor pode abrir espaço que para os próprios estudantes tragam também exemplos de reportagens de assuntos de interesse deles para que sejam comparadas. A estratégia tem como função ser estimulante e criadora de motivação nos alunos para a leitura crítica daquilo que os atrai na comunicação. Pode ser indutora do crescente apetite pelo consumo de notícias ao mesmo tempo em que aumenta a independência de campo dos estudantes e reforça o lócus de controle interno, características importantes para a carreira profissional futura destes alunos.

Esta postura libertária faz do professor um agente transformador por meio da educação, na medida em que assume a identidade do educador progressista, como afirma Freitas (2001). Nesta perspectiva pedagógica identificada coma construção do saber, o educador é um interventor no sentido positivo do termo, pois ele conduz seus alunos à libertação como indivíduos, orientando-os a estar no comando de suas próprias capacidades para que assim construam a si como cidadãos conscientes, inteligentes, emocionais, éticos e socialmente participativos e úteis. O aprendizado não ocorre no indivíduo se ele estiver sozinho. Sem entrar na discussão a respeito da existência ou não de conhecimentos inatos, o que se observa é que o homem repete o que aprende na medida em que se repete criando hábitos. Mas nunca de modo estanque. Por esta razão há o progresso humano. Aquilo que se conhece não é suficiente para saciar a curiosidade e a necessidade de resolução de problemas que surgem como o oposto do saber, ou seja, a resposta a um problema é um mistério até ser descoberta ou inventada. Assim, de um determinado patamar do conhecimento, migra-se para outro superior provocado por questões que desafiam o próprio conhecimento e sua aplicação, num processo dialético como defendeu, entre outros, Hegel. (STÖRIG, 2009). Deste modo, a interação entre os estudantes e seus pares e entre eles e o professor é imprescindível para que haja avanços no aprendizado. Uma vez que as pessoas são diferentes, por seus valores intrínsecos elas elaboram interpretações variadas sobre estímulos extrínsecos e chegam a novos significados sobre a realidade. Desta dinâmica nascem pontos de vista inovadores e ideias que podem ressignificar conceitos antigos e promover a reconstrução dos saberes, fazendo com que o avanço ocorra e, com
ele, as mudanças trazidas pela aprendizagem. Segundo Gadotti (2007, p. 13) “A diversidade é acaracterística fundamental da humanidade. Por isso, não pode haver um único modo de produzir e reproduzir nossa existência no planeta.” Aprender é, assim, um processo compartilhado entre o indivíduo e a coletividade com participação determinante da escola.

REFERÊNCIAS
GADOTTI, Moacir. A mudança está conosco. FILOSOFIA ciência & vida, ano I, n 10, p. 6-13, 2007. Entrevista concedida a Faoze Chibli.
FREITAS, Ana Lúcia Souza de. Pedagogia da conscientização: um legado de Paulo Freire à formação de professores. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001.
STÖRIG, Hans Joachim. História geral da filosofia. Petrópolis: Editora Vozes, 2009.


 

imagem: laparola.com.br