Sua revista escolar de filosofia.

domingo, 19 de junho de 2016

TRABALHO DE ENSINO RELIGIOSO: ESTUDO DE CASOS DE EQM


"A verdade é que o que vou te narrar não é um conto de Alcínoo, mas de um homem valente, Er o Armênio, Panfílio de nascimento. Tendo ele morrido em combate, andavam a recolher, ao fim de dez dias, os mortos já putrefatos, quando o retiraram em bom estado de saúde. Levaram-no para casa para lhe dar sepultura, e, quando ao décimo segundo dia, jazia sobre a pira, tornou à vida e narrou o que vira no além." PLATÃO, A República, L. X. 

 


A narração é um dos trechos mais populares e enigmáticos da obra platônica A República. 

Er, o Armênio, volta do mundo dos mortos e conta como é o julgamento das almas. 

 
A história, tratada por Mito de Er, sustenta na filosofia de Platão a realidade de um mundo espiritual essencial e verdadeiro, distinto da realidade sensível, apenas aparente, onde estão os vivos.  


O caso de Er poderia ser uma Experiência de Quase-Morte, o que a medicina chama hoje de EQM? 


Trata-se de uma experiência humana de todos os tempos e que estaria entre os fatores que são causas das religiões? 

Ciência fala em consciência além da morte

Pesquisa considerada a maior já realizada com casos de morte cerebral - clique aqui para ler - registrou que 40% dos envolvidos tiveram lembranças do período em que estavam clinicamente mortos. 

O estudo foi dirigido pela universidade de Southampton, na Inglaterra com a parceria de hospitais dos Estados Unidos, Áustria e Reino Unido. 

Um dos pacientes relatou com detalhes o que ocorria na sala do hospital enquanto estava em estado de morte. 

Segundo Sam Parnia, pesquisador, isso não deveria ter acontecido porque o cérebro deixa de registrar sensações cerca de 30 segundos após a parada do coração. 

Objetivo do trabalho

O que vamos ver aqui é se os casos de EQM podem trazer alguma contribuição para a investigação sobre a possibilidade de haver alguma realidade naquilo que as religiões dizem de essencial: que a vida continua após a morte. 


Vamos trabalhar o tema e ver o que podemos encontrar. 


O TRABALHO - roteiro de observação a ser seguido

Analisar o vídeo, ler a reportagem e pesquisar os temas apontados abaixo para organizar uma apresentação por grupo. 

(clique aqui para ver o vídeo do NATGEO Channel)

Orientações para o trabalho: 

- Formar SEIS grupos de estudos. 

- GRUPO 1: EXPLICAR O QUE AS RELIGIÕES CHAMAM ALMA OU ESPÍRITO E QUAL A OPINIÃO DA CIÊNCIA SOBRE ISSO (PESQUISA)  
- GRUPO 2: EXPLICAR O QUE SÃO OS E.Q.M. EM GERAL (PESQUISA)
- GRUPO 3: EXPLICAR A REPORTAGEM SOBRE A PESQUISA COM E.Q.M. (NO LINK NESSA POSTAGEM)
- GRUPO 4: EXPLICAR O PRIMEIRO CASO DO VÍDEO (NO LINK NESSA POSTAGEM)
- GRUPO 5: EXPLICAR O SEGUNDO CASO DO VÍDEO (NO LINK)
- GRUPO 6: EXPLICAR O TERCEIRO CASO DO VÍDEO (NO LINK)

FINAL - Seminário com todos os grupos. 

Os casos são intrigantes e vão despertar a sua curiosidade e a sua opinião.

Bom trabalho a todos!



link: NatGeo Channel/Youtube
imagens: guia, escritas, anquibasia

ATUALIZADO EM 06/03/2023 

sábado, 18 de junho de 2016

Moral total


Pode haver uma moral universal


A filosofia cristã propõe uma ética universal baseada no dever respeitoso ao princípio moral de valor absoluto do ego paralelo à alteridade uma vez que o divino reside no sujeito: amor a Deus e ao próximo como a si mesmo.


A história mostra os tropeços desta moral deontológica porque com ela compete o consequencialismo utilitário que visa o maior bem à maioria e neste ponto é preciso considerar o que é o bem, variável conforme os interesses pessoais e sociais em jogo.

 
A ética cristã transfere deste mundo para outro a possibilidade de felicidade e conduz ao exaustivo trabalho em função da alma, o que afasta os sujeito da ação política e econômica, problema que o luteranismo procurou equacionar. Depois Weber também vai propor uma moral pessoal e outra social que vai chamar de éticas da convicção e da responsabilidade. A primeira relacionada à noção íntima de bem e mal e a segunda às consequências práticas da ação, o que considera fins e meios, não somente princípios. 

Com Kant ressurge a ideia de uma ética universal deontológica que incorpora o trabalho e a política sem a espera contemplativa pela vinda do governo divino no fim da História ou a ascensão celeste da alma enquanto outros decidem o que fazer das questões existenciais mundanas e da administração da justiça.

Diante da diversidade dos interesses humanos e suas visões de mundo, seria possível uma moral universal, total, baseada no utilitarismo, ou seja, em uma decisão racional, portanto calculada, de qual o bem ideal a ser realizado?


O amor, mesmo se metafísico e revelado, pode ser a essência deste tipo de moral humanista? 


Seria possível tornar o amor um conceito unívoco, fundamento do bem moral, eliminando ambiguidades que o torne significante de um significado único? 

 

O termo amar é relativo. Ou não?
 

"O fim da moralidade é a manutenção da reta ordem, pois esta se identifica à bondade objetiva [...] A força motriz para a realização da ordem moral é o amor, que remata na caridade. [...] O amor é a própria essência do homem [...] amar sinceramente a outrem significa amá-lo como a nós mesmos, o que só é possível num plano de igualdade" BOEHNER e GILSON, Santo Agostinho. Filosofia Cristã, Petrópolis: Vozes, 1991. p. 187, 188 e 189. 

Colocar o amor na posição de critério objetivo das escolhas da vontade eliminaria a relatividade dos interesses e permitiria compreendê-lo em sua função civilizatória histórica mesmo em relação à consequência da sua adoção e não apenas ao seu princípio normativo como manifestação ontológica.  

A passividade de Cristo diante da própria execução, exemplo de sacrifício por dever submisso ao poder divino de absoluta justiça com amor e graça pode ser visto sob a ótica utilitarista da morte de um para a salvação de todos?  

(acesse o hiperlink no início e leia mais sobre o tema na revista Filosofía Hoy)

link: Filosofía Hoy
imagem: Filosofía Hoy,  atestemunhafiel

domingo, 15 de maio de 2016

#Heraclitianas

São rochas
As areias que hoje vagam
Ao vento
Um dia, foram
Como tudo o que é
E amanhã não mais será

O mundo é um sonho

Sonhado com olhos arregalados
Para a realidade e seus dialéticos recados
Consumidos no fogo por ela alimentado

Chama imortal
Põe tudo em movimento
Faz do ser o seu oposto
E de novo e de novo
No eterno renovar

Ilusão é acreditar
Que se há de chegar à verdade
Nem inteira, nem metade
Porque o tempo não descansa
O intervalo do minuto:

Tudo é relativo
Isto é absoluto

imagem: zoom Escola de Atenas, Rafael Sanzio, 1511

segunda-feira, 9 de maio de 2016

#Marxianas


Roubam-te a bússola do futuro
Tiram-te os portos de esperança

Para que navegues sem rumo

Nas brumas da incerteza

Fazem do teu corpo óleo

Da tua alma lenha

Que nutrem a máquina antiga

Sustento dos pilares da Terra

Construídos sobre sonhos adormecidos

Das classes insones furtadas

Pelos que suam o suor alheio

E fazem dele o sal da vida que parasita

Multidões que trabalham

Para que eles descansem
 
imagem: uol

quarta-feira, 30 de março de 2016

Aprendiz filosofando

Filosofar é a maneira de se aprender filosofia.

Não apenas repeti-la como pensamentos transmitidos, mas anunciá-la como aquisição do próprio intelecto. 

Esta didática mostra comoventes resultados quando aquele que ensina filosofia percebe o aprendiz filosofando. 

Quando se vê um aprendizado construído com base na reflexão que caracteriza a filosofia: uma atividade racional que se aprimora e se expressa com exatidão na linguagem.


É na linguagem que o cosmo, o desejo, o imaginário se elevam até a expressão. Paul Ricoeur


O mundo representado na consciência se torna linguagem para ser exposto, comunicado. Na linguagem mora a filosofia ou como diz Heidegger, a linguagem é a casa do ser, já que nela se manifesta o sentido das coisas.



Sobre isto, a estudante Letícia Lovato, do segundo ano da E. E. E. M. Santa Isabel, em Viamão, RS, filosofou o texto que deixamos para vocês.


A filosofia mora na linguagem


Para começar eu nunca entendi muito de filosofia, por isso talvez não saiba falar sobre esse assunto direito, mas refletir sobre isso é uma coisa que me ajuda a construir minha própria opinião sobre acontecimentos e tudo mais que é discutido na filosofia.


Então na minha opinião a filosofia mora na linguagem porque geralmente nos vários tipos de linguagem que tem, a filosofia está presente na forma de se expressar, até de se comportar. Filosofia e linguagem são duas coisas que na minha opinião andam juntas, porque filosofia é estudo do pensamento, lógica, questionamentos, entre várias outras coisas, mas enfim acho que se não fosse pela linguagem a filosofia não poderia ser isso, e por exemplo, como vamos achar lógica nas coisas se não for ter uma linguagem certa sobre aquilo, pra te explicar e te fazer compreender a lógica do que está sendo falado, e como vamos questionar sem uma linguagem certa junto com a filosofia?

Letícia

RICOEUR, Paul. O conflito das interpretações. 1978.
imagens: Letícia Lovato; tcd 
Texto e imagem publicados com autorização de Letícia Lovato