Sua revista escolar de filosofia.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Desenvolvimento humano: fisiologia e ética - terceiros anos

Salve, pessoal! 

Teorias sobre a origem, a genealogia da moral, remontam aos primórdios da cultura. A mitologia como religião já propunha encontrar os traços da moralidade nas fontes divinas instituidoras do ordenamento cósmico e do bem como lei natural. Depois, filosofias desenvolveram suas concepções transitando entre a naturalidade e a historicidade dos valores morais. 

Todo esse conhecimento orienta as discussões éticas hoje e novas abordagens ao problema surgiram e surgem com a ciência incorporando elementos que enriquecem o conhecimento do homem sobre si mesmo e sobre o meio. 

Vamos aprofundar esse debate?

O texto abaixo sugere que a moralidade e a ética tenham sua assimilação associada à fisiologia humana. 

Noções de bem e mal, de certo e errado e suas práticas dependem do amadurecimento neurológico. 

Confira! 
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Senso moral, segundo Yves de La Taille, é a capacidade de conceber os deveres morais e ao mesmo tempo sentir que eles são obrigatórios. É uma atitude na qual os sentimentos e a vontade se unem à razão. Trata-se, portanto, de querer fazer o que deve ser feito.

O senso moral, via de regra, não é o mesmo na criança, no adolescente, no adulto ou na pessoa mais amadurecida. Lawrence Kohlberg (1927-1987) foi um cientista que se dedicou a pesquisar  essas diferenças, e seus estudos sobre os estágios do desenvolvimento do senso moral nos ajudam a compreendê-las.

O senso moral na pessoa adulta se estrutura em torno do respeito às leis que regulam as instituições sociais. O adulto entende que essas regras são convencionadas por um grupo, ou pelo conjunto da sociedade, com o objetivo de garantir a ordem social e os direitos e os deveres de todos os cidadãos. O correto, para um adulto, é cumprir as regras com as quais passou a concordar no momento em que assumiu seus papeis como estudante ou profissional, membro dos diversos grupos de que participa, e cidadão. A motivação de agir certo, para um adulto, provém do fato e ele fazer parte das instituições e de ele querer manter o bom funcionamento delas. Isso lhe traz autoestima e autorrespeito, bem como o respeito dos outros.

Já numa criança, o senso moral não segue as convenções sociais, que ela ainda nem distingue com nitidez, mas imita o comportamento dos adultos e busca as vantagens imediatas que ela pode desfrutar em cada situação. Até uns sete anos, mais ou menos, a criança segue as regras de casa e da escola e as obedece para evitar castigos e para receber os louvores e os prêmios esperados. Típico dessa idade é fazer as coisas "proibidas" quando a autoridade não está presente, pois então não haverá consequências materiais diretas.

Esse exemplo mostra o que Piaget afirmava sobre a heteronomia dessa idade. Para a criança as regras provêm de outras pessoas e é por respeito a essas pessoas que são obedecidas. Ao passo que para o adulto vigora a autonomia, quer dizer, as leis têm valor a partir da sua própria decisão consciente.

A criança pequena ainda não compreende a função geral das regras, e por isso nem pensa em fazer algo fora das regras ou, se um adulto não estiver perto, fora dos seus desejos e necessidades imediatas. Ela obedece porque teme o poder dos adultos e sabe que deve seguir o que eles ensinaram. A partir dos seis ou sete anos a criança amplia suas relações sociais e seu espaço de iniciativas. Além de continuar a seguir as normas, passa a considerar correto satisfazer o seus interesses, desde que não agrida os interesses dos outros. Cresce na criança um senso de trocas equitativas e também de reciprocidade: é bom ajudar aqueles que me ajudam, ou podem me ajudar. Esse é o estágio típico do "olho por olho, dente por dente". A criança vai atrás de vantagens práticas e materiais, mas também toma consciência da necessidade de equilibrar as vantagens com seus colegas.

Entre o universo moral da criança e do adulto situa-se o da adolescência, com suas típicas oscilações. O advento do raciocínio abstrato permite que o jovem comece a entender as razões gerais das regras e passe a considerar as expectativas da família, do grupo ou da sociedade como algo valioso por si mesmo, ainda que demande algum sacrifício pessoal. Os valores de autoetima e lealdade se tornam mais importantes. O jovem busca então manter e justificar sua posição nos grupos que frequenta, sentindo vontade de se identificar e solidarizar com as pessoas do grupo.

O adolescente continua a avaliar que o bom comportamento é aquele que recebe a aprovação dos outros, mas já amplia a duração, as formas e o significado dessa aprovação. Ele ainda forma imagens estereotipadas do que seja o comportamento da maioria, o comportamento "natural". É frequente ele responder, ao ser chamado à atenção: "mas os outros estão fazendo a mesma coisa". Isso ainda é heteronomia, é ir pelos outros. Mas o adolescente também começa a ser capaz de reconhecer a intenção dos agentes, sabendo aliar certas ações pelos princípios éticos e não apenas pelos resultados práticos. A "regra de ouro" - não devo fazer o que não quero que façam a mim - começa a fazer sentido, pois o adolescente é capaz de empatia e de juízo autônomo.

À medida que avança para a formação de um senso moral adulto, o adolescente compreende que é responsável por cumprir suas obrigações em cada grupo do qual faz parte, compreende que os demais integrantes desses grupos contam com sua ação, e sente sua autoestima crescer, pois se identifica como um membro livre e confiável que contribui para a boa convivência entre as pessoas.


ADAS, Sérgio. Propostas de trabalho e ensino de filosofia. p. 72.

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Muito bem! 

Agora volte ao AVA Sala de Aula que tem uma tarefa para você.

Até mais!! 

Imagem: Roberto Araújo Correia: o ser ético
Editado em 10/09/2021

sábado, 25 de março de 2017

Mais renda e menos trabalho

Na linha de pensamento que inclui nomes como Aristóteles - valorização do ócio- , Bertrand Russell e Domenico De Masi, o intelectual holandês Rutger Bregman propõe uma reforma no sistema capitalista que passa pela distribuição universal de renda e a diminuição da jornada de trabalho.

A ideia de transferir recursos à população teria como propósito minimizar as diferenças sociais como efeito primário e garantir com isto uma equalização possível da renda.

Seria possível?

Para Bregman o recurso atacaria um problema histórico do capitalismo: a pobreza e seus custos imensos para governos e sociedades.

Outro reflexo estaria na autonomia dos cidadãos para realizar tarefas profissionais de predileção uma vez que possuem o recurso material e tempo. Este último excede, como descreve De Masi, devido à tecnologia e as transformações provocadas por ela na era pós-industrial.



Ação que vai ao encontro do estado de bem-estar e do projeto socialista, porém liberal, que devolve ao trabalhador a prerrogativa de realização pessoal por meio da atividade profissional ou seja, pelo combate à alienação apontado por Marx, ideal às sociais democracias. 

O projeto prevê a valorização do mérito ao mesmo tempo em que resgata o papel social do liberalismo e afirma a confiança na maturidade dos indivíduos para a aplicação consciente dos recursos. 




A entrevista com Bregman sobre seu livro Utopia para realistas, que trata de temas polêmicos como renda, trabalho e imigração, está no El País. (clique aqui e leia).





imagens: Rising Up, Consciência Política

quarta-feira, 22 de março de 2017

Felicidade é filosofar!

ATIVIDADE EXTRA PARA AS TURMAS 71, 72, 81, 82, 91 e 92 DA EJA DO IEE BARÃO DE TRAMANDAÍ REFERENTE A ABRIL DE 2020. 



Olá, pessoal!

 Refletir sobre o sentido da vida é ou não uma tarefa de todos nós? 

E vocês podem me perguntar: mas, o que é exatamente refletir? 
Somos acostumados a fazer isso, mas pode ser que não tenhamos pensado exatamente no que seja a reflexão. 

Refletir não é conhecer nada novo. 

É pensar naquilo que já é conhecido. 
É pensar sobre aquilo que já pensamos. 

É olhar para dentro de nós mesmos e pensar sobre nossos pensamentos e assim tirar deles uma compreensão mais profunda que nos sirva como caminho para orientar a vida e assim dar sentido ao que fazemos e a quem somos. 

Isso é uma das maneiras de filosofar ou seja, de pensarmos nossa vida e viver o que pensamos. 

Agora, algumas perguntas: 

Pode ser a procura pela felicidade o sentido da vida que todos nós buscamos? 
E nós sabemos o que é a felicidade? 
Somos capazes de reconhecê-la e assim não confundi-la com prazeres que são agradáveis, mas às vezes deixam dores? 
Pode alguém ser feliz mesmo quando as coisas não estão muito bem? 



Pensar sobre aquilo que acreditamos ser a felicidade é a nossa tarefa agora.
Vamos refletir sobre aquilo que tanto queremos para ver o quanto disso nós sabemos. 

Essa tarefa vale para o mês de abril para todas as turmas da EJA, para aqueles alunos que estão retornando agora aos estudos. 

Nela você vai refletir sobre o que é a felicidade. 

TAREFA: 

Leia o texto que está na imagem e responda: 

"Ninguém impeça o jovem de filosofar nem impeça o velho de fazê-lo. Pois, ninguém nunca é imaturo nem muito maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não lhe chegou ou já passou, se assemelha a quem diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz." Epicuro

1 - Por que a felicidade está relacionada com a filosofia e qual a idade certa para ser feliz, segundo o texto?

2 - Quem foi Epicuro e o que dizia a sua filosofia? Faça uma breve síntese.


ENVIE SUA RESPOSTA ATÉ O DIA 09/07 PARA O E-MAIL 

profilocharles@gmail.com 

Boa reflexão para você! 

Foto e montagem: Filosofósforos

domingo, 20 de novembro de 2016

Tempo ou dinheiro?

Questão dourada da filosofia, ser feliz pode ser apontado como meta de vida, para todos.

Por isto, voltamos a falar da felicidade. 

Contudo, encontrar o significado para ela talvez seja uma das mais escorregadias tarefas.

"Todos aspiramos à felicidade, mas quanto a conhecer seu caminho, tateamos como nas trevas.” É o que nos sugere Sêneca. 

E neste tatear, podemos imaginar que a felicidade é possuir tudo o que se quer. No entanto, não se pode ter tudo. E se fosse possível ter, somente com a condição de não querer mais nada. Do contrário, continuar a desejar algo é querer possuir o que ainda não se tem e que trará a felicidade. É confessar-se infeliz. 

O tédio da conquista resultante da perda do interesse por já possuir o que se queria leva ao novo desejo e à perseguição à felicidade.

Como viver?

A filosofia aposta na sabedoria, no saber viver e isto implica conhecimento e posse da verdade.

Como diz Aristóteles, engana-se quem acredita que a felicidade seja diversão. Ela vem com atitudes virtuosas e isto para o homem é agir esforçadamente com a razão acima de tudo. Tem a ver com viver com consciência uma vida que se aprova, uma vida com sentido e alegria por ela ser como é quando aquilo que se faz, na maior parte do tempo, produz bem-estar autêntico, jamais prejuízos como os decorrentes dos vícios, desvios ou inconsequências. Se não fosse assim, venceria o cinismo.

Tem a ver com fazer o que se gosta com aprovação ética e gostar do que se está fazendo, desejando e possuindo numa relação de apreço ou amizade (filia) pela vida.

Amar o que se tem ou o que se é a cada instante, sem nada esperar além do que há e que pode não vir a ser, pois o que há é o presente que satisfaz, o real que completa, a verdade que confirma a verdade daquilo que se vive. 

 


Uma reportagem do jornal El País (clique no link para ler) se propõe a analisar a felicidade sob a seguinte questão: mais dinheiro ou mais tempo faz feliz?

E o que mais?


Uma leitura fácil e agradável para entender o percurso filosófico sobre a felicidade é o livro de André Comte-Sponville, A felicidade, desesperadamente. 




Quer ser feliz?
Desesperadamente?

imagens: Filosofósforos, Google 

sábado, 15 de outubro de 2016

Consciência, responsabilidade e respeito: lições práticas para a vida. (TRABALHO DE ENSINO RELIGIOSO APENAS PARA TERCEIROS ANOS)



Nossa jornada pelo Ensino Religioso nos permitiu uma visão teórica ampla a respeito do fenômeno da religião. 

Percebemos suas características sociológicas, antropológicas, históricas, étnicas, psicológicas, médicas, legais e filosóficas.

Isto nos fez ver as religiões de cima, fora de qualquer discussão sobre particularidades doutrinárias, para encontrar um núcleo comum na espiritualidade: a relação homem/sagrado.

Ao completar nosso percurso, cada um poderá olhar para a sua própria religião e para as outras com mais conhecimento e com a possibilidade de encontrar razões mais fortes para a própria fé ou mesmo para o seu ceticismo, porém, com respeito a todas as crenças.  Esta é uma postura ética que demonstra educação e compreensão de um princípio maior que deve unir todas as pessoas: o amor com igualdade.

Vejamos uma passagem de Immanuel Kant:


“Dever e obrigação são as denominações exclusivas que devemos dar à nossa relação com a moral.” (Crítica da Razão Prática)

O filósofo alemão nos diz que o único dever que temos é respeitar a lei moral.

A lei moral é a fazer somente aquilo que poderia se transformar em um mandamento para todas as pessoas em todos os tempos.

E quem nos diz qual é a lei moral?

Nossa própria razão.
 

Ela nos diz que o ideal maior de bondade é fazer o bem por fazer, sem interesse. Fazer o bem por amar o bem e nada mais.


É pensar qual o melhor meio de realizar no mundo os ideais de bondade que gostaríamos tanto de viver em toda a sua pureza.




As religiões nos ajudam a entender o bem e nos orientam no que fazer, cada uma a seu modo.  Para entendê-las, às vezes é preciso refletir e encontrar lógica nas práticas e mandamentos.

“Todas as doutrinas bíblicas e religiosas que conflitem com a razão devem ser interpretadas alegoricamente, como maneiras de expressar noções morais que ganham vivacidade, e não validade em sua formulação religiosa.” (Roger Scruton, Kant)

Em outras palavras: ou aceitamos tudo o que as religiões dizem sem refletir, ou buscamos compreender a profunda sabedoria das religiões pensado melhor naquilo que elas afirmam.

É a diferença entre a postura fanática e a fé crítica.

Pensar com critérios expande a consciência e reforça a responsabilidade, onde cada um cuida melhor de si mesmo e dos outros com solidariedade.

TRABALHO

Após ter lido a introdução de apoio, reflita e escreva um texto pessoal onde você vai responder as seguintes questões:

- o que você acha dos atritos motivados por diferenças religiosas? 


- existe algo acima das diferenças religiosas que deve ser colocado em primeiro lugar? Isto poderia ser ensinado? De que maneira?


- as aulas de Ensino Religioso contribuíram para você aprofundar sua opinião a respeito da cultura religiosa e seus valores básicos? Em que sentido?

SEU TEXTO DEVE SER POSTADO AQUI NO BLOG COMO COMENTÁRIO A ESTA POSTAGEM (ABAIXO DO TEXTO, NA CAIXA DE TEXTO “COMENTÁRIOS”) ATÉ  17/11.

INSTRUÇÕES PARA PUBLICAÇÃO:

- VISUALIZE A BARRA COM FUNDO BRANCO AO FINAL DA POSTAGEM;

- NELA ESTÁ ESCRITO: “POSTADO POR CHARLES DALBERTO ÀS xx:xx (HORA)” (2, 3, 4, ETC.) COMENTÁRIO(S):” (COR LARANJA ESCURO)

- CLIQUE EM CIMA DA PALAVRA “COMENTÁRIO”

- VAI ABRIR UMA CAIXA DE TEXTO;

- COLOQUE SEU COMENTÁRIO NELA COM NOME COMPLETO E TURMA;

- CLIQUE EM “PUBLICAR” (BOTÃO AZUL);

- PRONTO, SUA POSTAGEM SERÁ ANALISADA E VALIDADA.

Bom trabalho!

Imagems: pinterest, frases do bem, habeas mentem

domingo, 9 de outubro de 2016

Morte depois da vida ou vida depois da morte? TRABALHO DE ENSINO RELIGIOSO APENAS PARA PRIMEIROS ANOS

"Aqueles, enfim, cuja vida foi reconhecida como de grande piedade, são libertados, como de cárceres, destas regiões inferiores da terra, e levados para regiões puras, indo morar na superfície da verdadeira terra!" Sócrates (Fédon, Platão) 

Assim Sócrates, o grande filósofo de Atenas, condenado à morte por perguntar demais em 399 a.c., pouco antes da execução, tentava consolar Símias e seus outros discípulos mostrando que não se deveria temer a morte. Afinal, quem filosofa procura a verdade e o bem, vive de maneira justa e não deve ter medo de nenhum julgamento. 

Depois da morte, vida.
Liberdade.
Uma realidade ainda melhor.

"Bela é a recompensa e grande a esperança!" (idem)

O Ser, jamais o nada.

Existir sempre, consciente e íntegro após sair da vida na Terra.

Segundo Sócrates e Platão e toda uma tradição da filosofia e das religiões, a existência humana marcada pelo bem tem como destino a continuidade feliz no mundo da almas.

Em diferentes culturas, a questão é parte de reflexões, recordações e celebrações distintas.

Na tradição mexicana, e de alguns outros povos americanos, a morte é razão para festejos.

Faça uma pesquisa e conheça melhor a relação dos mexicanos com a morte e como sua cultura influencia outras sociedades, como a brasileira.

Responda as perguntas no seu caderno consultando os links sugeridos abaixo;
Mostre nas aulas de Ensino Religioso na semana entre 24/10 e 27/10 para receber a avaliação.

ROTEIRO DO TRABALHO

- Como os mexicanos comemoram o día de los muertos? 
- Qual a origem histórica da comemoração mexicana?
- Por que eles consideram o dia dos mortos uma ocasiões festiva? 
- Quais os principais símbolos da festa aos mortos (objetos, alimentos, etc.)? 
- Día de los muertos e halloween são a mesma coisa? 
- Quando começou a tradição cristã de rezar pelos mortos em 02 de novembro?  


(Responda conforme sua experiência e opinião pessoais)
- Para você o dia dos mortos pode ser ocasião de comemoração ou isso seria falta de respeito pelos finados? 
- É melhor ser lembrado com tristeza ou com alegria? 
- Como você costuma lembrar dos entes queridos falecidos? 
- Fazer o bem ou o mal em vida faz diferença no destino da alma após a morte? 

LINKS SUGERIDOS (clique em cima do link e vá direto para o site)

Discovery: 9 curiosidades sobre o Dia dos Mortos

InfoEscola: Dia dos Mortos

Jornal Minas: Festa dos mortos (vídeo) 

Brasil Escola: 02 de novembro - Dia de Finados

Imagens: thinkstock; divulgação 

domingo, 19 de junho de 2016

TRABALHO DE ENSINO RELIGIOSO: ESTUDO DE CASOS DE EQM


"A verdade é que o que vou te narrar não é um conto de Alcínoo, mas de um homem valente, Er o Armênio, Panfílio de nascimento. Tendo ele morrido em combate, andavam a recolher, ao fim de dez dias, os mortos já putrefatos, quando o retiraram em bom estado de saúde. Levaram-no para casa para lhe dar sepultura, e, quando ao décimo segundo dia, jazia sobre a pira, tornou à vida e narrou o que vira no além." PLATÃO, A República, L. X. 

 


A narração é um dos trechos mais populares e enigmáticos da obra platônica A República. 

Er, o Armênio, volta do mundo dos mortos e conta como é o julgamento das almas. 

 
A história, tratada por Mito de Er, sustenta na filosofia de Platão a realidade de um mundo espiritual essencial e verdadeiro, distinto da realidade sensível, apenas aparente, onde estão os vivos.  


O caso de Er poderia ser uma Experiência de Quase-Morte, o que a medicina chama hoje de EQM? 


Trata-se de uma experiência humana de todos os tempos e que estaria entre os fatores que são causas das religiões? 

Ciência fala em consciência além da morte

Pesquisa considerada a maior já realizada com casos de morte cerebral - clique aqui para ler - registrou que 40% dos envolvidos tiveram lembranças do período em que estavam clinicamente mortos. 

O estudo foi dirigido pela universidade de Southampton, na Inglaterra com a parceria de hospitais dos Estados Unidos, Áustria e Reino Unido. 

Um dos pacientes relatou com detalhes o que ocorria na sala do hospital enquanto estava em estado de morte. 

Segundo Sam Parnia, pesquisador, isso não deveria ter acontecido porque o cérebro deixa de registrar sensações cerca de 30 segundos após a parada do coração. 

Objetivo do trabalho

O que vamos ver aqui é se os casos de EQM podem trazer alguma contribuição para a investigação sobre a possibilidade de haver alguma realidade naquilo que as religiões dizem de essencial: que a vida continua após a morte. 


Vamos trabalhar o tema e ver o que podemos encontrar. 


O TRABALHO - roteiro de observação a ser seguido

Analisar o vídeo, ler a reportagem e pesquisar os temas apontados abaixo para organizar uma apresentação por grupo. 

(clique aqui para ver o vídeo do NATGEO Channel)

Orientações para o trabalho: 

- Formar SEIS grupos de estudos. 

- GRUPO 1: EXPLICAR O QUE AS RELIGIÕES CHAMAM ALMA OU ESPÍRITO E QUAL A OPINIÃO DA CIÊNCIA SOBRE ISSO (PESQUISA)  
- GRUPO 2: EXPLICAR O QUE SÃO OS E.Q.M. EM GERAL (PESQUISA)
- GRUPO 3: EXPLICAR A REPORTAGEM SOBRE A PESQUISA COM E.Q.M. (NO LINK NESSA POSTAGEM)
- GRUPO 4: EXPLICAR O PRIMEIRO CASO DO VÍDEO (NO LINK NESSA POSTAGEM)
- GRUPO 5: EXPLICAR O SEGUNDO CASO DO VÍDEO (NO LINK)
- GRUPO 6: EXPLICAR O TERCEIRO CASO DO VÍDEO (NO LINK)

FINAL - Seminário com todos os grupos. 

Os casos são intrigantes e vão despertar a sua curiosidade e a sua opinião.

Bom trabalho a todos!



link: NatGeo Channel/Youtube
imagens: guia, escritas, anquibasia

ATUALIZADO EM 06/03/2023 

sábado, 18 de junho de 2016

Moral total


Pode haver uma moral universal? 


A filosofia cristã propõe uma ética universal baseada no dever respeitoso ao princípio moral de valor absoluto do ego paralelo à alteridade uma vez que o divino reside no sujeito: amor a Deus e ao próximo como a si mesmo.


A história mostra os tropeços desta moral deontológica porque com ela compete o consequencialismo utilitário que visa o maior bem à maioria e neste ponto é preciso considerar o que é o bem, variável conforme os interesses pessoais e sociais em jogo.

 
A ética cristã transfere deste mundo para outro a possibilidade de felicidade e conduz ao exaustivo trabalho em função da alma, o que afasta os sujeito da ação política e econômica, problema que o luteranismo procurou equacionar. Depois Weber também vai propor uma moral pessoal e outra social que vai chamar de éticas da convicção e da responsabilidade. A primeira relacionada à noção íntima de bem e mal e a segunda às consequências práticas da ação, o que considera fins e meios, não somente princípios. 

Com Kant ressurge a ideia de uma ética universal deontológica que incorpora o trabalho e a política sem a espera contemplativa pela vinda do governo divino no fim da História ou a ascensão celeste da alma enquanto outros decidem o que fazer das questões existenciais mundanas e da administração da justiça.

Diante da diversidade dos interesses humanos e suas visões de mundo, seria possível uma moral universal, total, baseada no utilitarismo, ou seja, em uma decisão racional, portanto calculada, de qual o bem ideal a ser realizado?


O amor, mesmo se metafísico e revelado, pode ser a essência deste tipo de moral humanista? 


Seria possível tornar o amor um conceito unívoco, fundamento do bem moral, eliminando ambiguidades que o torne significante de um significado único? 

 

O termo amar é relativo. Ou não?
 

"O fim da moralidade é a manutenção da reta ordem, pois esta se identifica à bondade objetiva [...] A força motriz para a realização da ordem moral é o amor, que remata na caridade. [...] O amor é a própria essência do homem [...] amar sinceramente a outrem significa amá-lo como a nós mesmos, o que só é possível num plano de igualdade" BOEHNER e GILSON, Santo Agostinho. Filosofia Cristã, Petrópolis: Vozes, 1991. p. 187, 188 e 189. 

Colocar o amor na posição de critério objetivo das escolhas da vontade eliminaria a relatividade dos interesses e permitiria compreendê-lo em sua função civilizatória histórica mesmo em relação à consequência da sua adoção e não apenas ao seu princípio normativo como manifestação ontológica.  

A passividade de Cristo diante da própria execução, exemplo de sacrifício por dever submisso ao poder divino de absoluta justiça com amor e graça pode ser visto sob a ótica utilitarista da morte de um para a salvação de todos?  

(acesse o hiperlink no início e leia mais sobre o tema na revista Filosofía Hoy)

link: Filosofía Hoy
imagem: Filosofía Hoy,  atestemunhafiel