Sua revista escolar de filosofia.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Filosofia, ciência e lógica

SEGUNDOS ANOS. AULA 2 ADP DE FILOSOFIA.

Estudamos que a filosofia se caracteriza por ser um discurso racional.

Portanto, ela é LÓGICA. 

Desde os primeiros filósofos, os chamados pré-socráticos, a compreensão racional do universo levou o homem à aventura do conhecimento.
A lógica estuda a estrutura do pensamento racional e dos argumentos.

No mundo moderno, a ciência ocupou lugar significativo na produção de saberes, mas a filosofia sempre esteve presente.

A lógica, como regras do pensamento, da argumentação e assim da linguagem inteligível, tem um papel fundamental na construção do conhecimento humano.

Vamos à atividade?

Nela você saber mais sobre:

O que é a lógica;
Como ela é importante para a linguagem; 
Qual a utilidade da lógica para o conhecimento. 


CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO

Depois, responda:

1 - O que o debate sobre a recuperação do meio ambiente demonstra sobre a lógica? 
2 - Analise o seguinte silogismo: 

a - ___________________________- PRIMEIRA PREMISSA 
b - Leanderson é estudante da Bica.  - SEGUNDA PREMISSA
c - Portanto, Leanderson só pode ser inteligente! - CONCLUSÃO 

Qual é a primeira premissa? 

3 - O que á a lógica na filosofia e para que ela serve? 
4 - Por que as falácias são equívocos lógicos? 
5 - As verdades científicas também dependem da lógica? Explique. 
6 - Como você argumentaria usando o SILOGISMO para convencer alguém a respeitar a quarentena durante a pandemia da Covid-19? 

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

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humansisabel@gmail.com

É lógico que você gostou, né?!

#FiqueEmCasa


Desigualdade social

PRIMEIROS ANOS. AULA 2 ADP DE SOCIOLOGIA

Estudante, você percebeu que a sociologia é uma ciência que nasce das tensões sociais que se acentuaram em um período de grandes mudanças da sociedade moderna.

Um dos problemas centrais estudados pela sociologia é a DESIGUALDADE SOCIAL. 

Favela em Curitiba - PR. Gazeta do Povo.
Por que há pobres e ricos?
O que essa divisão provoca?

São apenas algumas perguntas ligadas ao tema.

Vamos à atividade?

Nela você vai aprender mais sobre:

O que é a desigualdade social; 
Por que ela ocorre; 
Como a sociologia compreende o fenômeno; 
De que modo a desigualdade social nos atinge. 

CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO

Depois, responda:

1 - A desigualdade social é um fenômeno de todos os países. Por quê? Justifique. 
2 - Explique o que é a assimetria e dê um exemplo de como ela ocorre na cidade em que você vive. 
3 - De que modo a ação política é necessária para enfrentar a desigualdade social? Dê exemplo de uma ação política ligada ao direito à educação. Pode ser um notícia consultada em jornais online. 
4 - Você acha que a desigualdade social pode agravar os efeitos da pandemia da Covid-19 no Brasil? Justifique. 

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

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Legal, né?!

#FiqueEmCasa

É o espanto!

PRIMEIROS ANOS. AULA 2 ADP (Aula Digital Programada) DE FILOSOFIA. 

Você já percebeu que a Filosofia é uma prática.

Quer dizer, ninguém é filósofo sem filosofar.

Filosofar, então, é quer saber.

É amar tanto o conhecimento que se quer saber a razão de cada coisa, das mais simples às mais complexas. É ultrapassar o óbvio e compreender além da aparência.

A origem do conhecimento está no espanto
diante da existência das coisas. 

O ser humano é o único em todo o universo, pelo que se sabe até hoje, capaz de se admirar, se espantar com a realidade e perguntar:

O QUE É? POR QUE É? 

Vamos às atividades?

Nelas você vai revisar alguns pontos e aprender mais sobre:

A atividade filosófica no dia a dia;
A necessidade de questionar; 
Se deixar admirar pelo novo;
Elementos da história da filosofia. 

CLIQUE AQUI E ASSISTA AO VÍDEO

ACESSE AQUI E LEIA O TEXTO DO LIVRO

ATENÇÃO: ABRA O LIVRO DIGITAL NO COMPUTADOR! 
No celular ele pode não carregar. A versão digital é direto da editora.

Depois, responda:

1 - O que faz do taxista em filósofo? Explique cada uma das características indispensáveis a um filósofo. 
2 - Os mitos antigos explicam a origem do universo, do homem e de outras coisas. Por que eles não são filosóficos?
3 - Por que os mitos deram lugar à filosofia e o que os gregos antigos tiveram a ver com isso?
4 - Por que o espanto com a realidade é essencial à filosofia? 
5 - Você é uma pessoa mais imaginativa, emotiva e que gosta de fantasiar ou é mais prático, lógico, racional? O que vale mais: imaginação ou razão? Explique. 
6 - A partir do que foi exposto sobre a filosofia ser uma atividade de produção de CONCEITOS, diga como você entende o conceito do amor. ESSA RESPOSTA NECESSITA DA LEITURA DAS PÁGINAS 12, 13 E 14 DO LIVRO DIDÁTICO. "A FILOSOFIA NA HISTÓRIA" e mais uma reflexão própria. 

ATENÇÃO!

As tarefas serão avaliadas no retorno às aulas presenciais. Mas, você já pode ir enviando as respostas assim que for terminando.

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E aí, gostou?
Espero que sim!

Até a próxima, estudante e não esqueça: seja sempre curioso!

#FiqueEmCasa

domingo, 5 de maio de 2019

Amor platônico

Olá, amantes da filosofia!

Se vocês chegaram até aqui é porque já abriam o coração para a sabedoria.

E abriram também a razão, necessária para compreender o que se passa quando se ama.

Nossa reflexão sobre o que é o amor nos trouxe a mais uma reflexão conceitual: o amor platônico.


Platão (427 a.c - 347 a.c.) é um dos maiores filósofos da Grécia Antiga e seu pensamento participa da estrutura da cultura clássica ocidental com influência determinante até hoje.



Sobre o amor, Platão legou o que podemos chamar de um tratado e a partir dele a expressão "amor platônico" se popularizou.



Mas, mesmo que tenhamos conhecimento da expressão, sabemos o que significa?

Uma dica: Eros manifesta-se admirando o físico e se bem conduzido passa a admirar o espiritual.

Agora, vamos ao problema proposto em aula: ao saber da paixão dela por ele, Leanderson respondeu que sente por ela amor platônico e ela ficou insegura. O que ele sente por ela?

Leia o texto "Amor platônico?" (clique aqui nesse link) e responda no caderno a questão passada em aula.

Conteúdo e atividade serão avaliados.

Boa leitura!

quinta-feira, 7 de março de 2019

O ex-ministro da saúde e Platão: da pandemia à filosofia

ATIVIDADE 4 - AULA DIGITAL PROGRAMADA (ADP) PARA TERCEIROS ANOS. 

Luiz Henrique Mandetta - ministro da saúde
Na segunda-feira (06/04) o ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta anunciou ao país que permaneceria no cargo após rumores de que seria demitido no meio do combate à pandemia de Covid-19. 

Para rebater as críticas da presidência da república ao seu trabalho, Mandetta recorreu à filosofia e citou a alegoria da caverna, de Platão


Veja como a filosofia é fundamental nas horas críticas! 

Mas, por que o político recorreu a esse texto de Platão?

Como estamos vendo, Platão foi discípulo de Sócrates e sua filosofia aprimora o pensamento de seu mestre na busca pela verdade e pelo modo justo de viver, de fazer as coisas amparado na ciência e não no "achismo".

Vamos em frente, então.

André Comte-Sponville resume a filosofia dizendo que se trata de pensar a vida e viver o próprio pensamento. 

Mas, esse viver não é isolado, apartado do mundo, desconectado da humanidade com seus problemas e soluções, tristezas e alegrias.

A vida autêntica se dá no encontro com o outro, nos relacionamentos, na troca de conhecimento e de afetos.

Sócrates viveu assim sua filosofia: sempre no encontro, no convívio e no diálogo construtivo procurando saber o essencial para viver do jeito certo.

Sua jornada o levou à profundidade da alma humana para de lá extrair a verdade em forma de conceito, aquela ideia acabada e perfeita de algo significativo para o homem, para sua vida ser a realização do seu próprio pensamento esclarecido, "descontaminado" de incoerências e por isso livre de erros da opinião.

A filosofia é libertadora.

Para Sócrates, uma vida sem filosofar é uma vida indigna de se viver. 

Viver sem filosofar é viver sem viver por completo porque é viver na prisão da ignorância, principalmente se for voluntário, algo indigno ao homem, portador de uma inteligência que o pode conduzir aonde outros seres não podem ir: o mundo da verdade, o mundo do conhecimento verdadeiro.

Então, há dois mundos: o mundo da aparência conhecido pelos sentidos e o mundo da essência conhecido pela razão.  

Sócrates, que nada deixou escrito, fala pela boca de Platão.

No diálogo A República, Sócrates usa de uma alegoria, a que foi usada pelo ministro Mandetta, para ilustrar sua imagem do que é a atividade do filósofo.

Vamos à atividade?

Nela você vai conhecer:

- mais do estilo literário-filosófico de Platão;
- mais sobre a história da filosofia;
- um dos textos mais influentes do pensamento ocidental;
- o uso do mito pela filosofia;
- o sentido libertador da filosofia;
- o conflito entre opinião e conhecimento e sua relação com os valores morais. 

Leia o texto, reflita sobre ele e depois responda as questões propostas.

Para ler o texto, clique sobre esse link: ALEGORIA DA CAVERNA. 


Agora responda às questões abaixo.

1 - O que a caverna e as pessoas amarradas significam? Qual estágio ou tipo de conhecimento essa metáfora dos acorrentados representa?

2 - Quais as outras etapas do conhecimento figuradas na alegoria?

3 - O que o Sol representa? Por que ele ofusca a visão despreparada à luz?

4 - Os prisioneiros matariam quem quisesse libertá-los e essa é uma menção à morte de Sócrates. Por que isso aconteceria? 

5- Para você, qual foi a intenção do ministro da saúde ao usar a alegoria da caverna rebatendo as críticas contra seu trabalho contra a Covid-19? Justifique. 

6 - O que a alegoria da caverna ensina a respeito do conhecimento dos valores morais?


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humanasisabel@gmail.com 

Saia da caverna mas, #FiqueEmCasa!

Questões: Adaptadas de ARANHA, Maria Lúcia e MARTINS, Maria Helena. Filosofando. Moderna. 
Imagens: Casa de Vidro, Pelerin

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Transvaloração dos valores: o além do homem

Ao encerrar nosso processo de análise das origens da moral estudando Nietzsche, vamos ver que o filósofo propõe a transvaloração dos valores, quer dizer, uma reinvenção do significado daquilo que até hoje foi a oposição entre “bem” e “mal”, uma vez que eles não são absolutos e sim relativos, podendo ser recriados pela humanidade. Essa transvaloração pretende restabelecer o equilíbrio de princípios constitutivos da realidade e do homem.

Dois princípios : Um deles representa a ordem, o saber, o intelecto, a razão e está ligado ao deus grego Apolo, por isso se chama “apolíneo”; o outro representa a desordem, a emotividade, a sensualidade, o corpo, irracionalidade e é expressado pelo deus grego Dionísio, sendo o poder “dionisíaco”. O equilíbrio está no balanço entre mente e corpo, os dois são o próprio homem, ser desse mundo físico regido pela dialética ordem-desordem.

A filosofia de Sócrates e Platão (séc. V a.c.), no entendimento de Nietzsche, rompeu o equilíbrio dessas forças afirmando que o homem deve privilegiar a razão (apolíneo), pois ela é sua própria alma, imortal e de outro mundo, o mundo intelectual. Isso tornou o ser humano mais “espiritual” do que ele realmente é, negando a vida material e natural (dionisíaco) em detrimento do intelecto como essência ou alma humana. O “bem” virou produto do raciocínio, atividade própria do intelecto/alma e depois o cristianismo reafirmou sua origem em Deus, “razão” transcendente criadora e absoluta. Assim, o “bem” e outros valores se tornaram absolutos por causa de sua fonte.  

Criaram-se duas morais: a moral dos fracos ou escravos, que afirma que o “bem” está na humildade, na piedade, na obediência, ela é absoluta e provém de Deus; a moral dos fortes ou senhores, histórica e humana, que diz que o “bem” está em viver os prazeres, o poder, a alegria, a criatividade, a vontade.

A moral dos fracos venceu essa disputa histórica, invertendo os valores. O “bom” é aquele que obedece e aquele que manda agora é o “mau”, e o desfrute do “bem” está depois deste mundo. Nietzsche denuncia essa inversão como uma farsa, como niilismo - o idealismo-espiritualismo é o nada, é ausência do ser - uma vingança dos ressentidos desse mundo, incapazes de mudar a realidade e que apelam a Deus, força dominadora em outro mundo transcendente, espiritual e improvável, como o senhor que recompensa o “bom”, o fraco e humilde e pune do “mau”, o forte, o orgulhoso, o poderoso, que só pode ser assim por não depender de ninguém a não ser de si mesmo e, por isso, é livre.  

Nietzsche propõe a restituição do equilíbrio dos valores por meio da transvaloração.
Seria criar uma nova moral fundada no sentido da moral do senhor, mas para todas as pessoas que a quisessem assumir. Ela seria o início da renovação do ser humano e a consolidação da sua autonomia por meio da libertação do jogo de oposição entre “bem” e “mal” como são conhecidos hoje, resultado da luta histórica entre fortes e fracos. Essa moral viria com algumas atitudes:

- um sim à vida: poder de afirmação corajosa da vida com alegria, com amor, existir realizando todas as potencialidades pessoais agora, sem esperar a felicidade em outro mundo ou outra vida além deste;

- criatividade: poder de criar valor onde ele não há, beleza onde ela não existe, inovar os costumes sempre para melhorar a vida e aumentar a liberdade, criar novos significados para tudo;

- liberdade: poder realizar-se sem a necessidade da permissão social ou de qualquer autoridade, ser livre para viver a própria vida, sua racionalidade e emotividade como se quer sem se submeter aos condicionamentos da cultura ou moralismos, questionar tudo e buscar sempre a sua própria verdade.


Deste processo surgiria um novo tipo humano, mais livre, mais altivo, com mais autoestima: Nietzsche o chamou de “além do homem” ou o “super-homem”, que vive o poder de sua vontade ou sua vontade de poder.

1 - Do que você se libertaria para se tornar mais “senhor” de sua própria vida?

2 - Isso daria mais alegria a você agora, nessa vida? Por quê?

3 – Que relação há entre o conceito de autonomia, já estudado, e a filosofia de Nietzsche? 

4 - Na primeira imagem de Nietzsche há uma citação do livro Aurora. Como você interpreta o texto que está no foto? 

imagens: Quora, internet  

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Desenvolvimento humano: fisiologia e ética - terceiros anos

Salve, pessoal! 

Teorias sobre a origem, a genealogia da moral, remontam aos primórdios da cultura. A mitologia como religião já propunha encontrar os traços da moralidade nas fontes divinas instituidoras do ordenamento cósmico e do bem como lei natural. Depois, filosofias desenvolveram suas concepções transitando entre a naturalidade e a historicidade dos valores morais. 

Todo esse conhecimento orienta as discussões éticas hoje e novas abordagens ao problema surgiram e surgem com a ciência incorporando elementos que enriquecem o conhecimento do homem sobre si mesmo e sobre o meio. 

Vamos aprofundar esse debate?

O texto abaixo sugere que a moralidade e a ética tenham sua assimilação associada à fisiologia humana. 

Noções de bem e mal, de certo e errado e suas práticas dependem do amadurecimento neurológico. 

Confira! 
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Senso moral, segundo Yves de La Taille, é a capacidade de conceber os deveres morais e ao mesmo tempo sentir que eles são obrigatórios. É uma atitude na qual os sentimentos e a vontade se unem à razão. Trata-se, portanto, de querer fazer o que deve ser feito.

O senso moral, via de regra, não é o mesmo na criança, no adolescente, no adulto ou na pessoa mais amadurecida. Lawrence Kohlberg (1927-1987) foi um cientista que se dedicou a pesquisar  essas diferenças, e seus estudos sobre os estágios do desenvolvimento do senso moral nos ajudam a compreendê-las.

O senso moral na pessoa adulta se estrutura em torno do respeito às leis que regulam as instituições sociais. O adulto entende que essas regras são convencionadas por um grupo, ou pelo conjunto da sociedade, com o objetivo de garantir a ordem social e os direitos e os deveres de todos os cidadãos. O correto, para um adulto, é cumprir as regras com as quais passou a concordar no momento em que assumiu seus papeis como estudante ou profissional, membro dos diversos grupos de que participa, e cidadão. A motivação de agir certo, para um adulto, provém do fato e ele fazer parte das instituições e de ele querer manter o bom funcionamento delas. Isso lhe traz autoestima e autorrespeito, bem como o respeito dos outros.

Já numa criança, o senso moral não segue as convenções sociais, que ela ainda nem distingue com nitidez, mas imita o comportamento dos adultos e busca as vantagens imediatas que ela pode desfrutar em cada situação. Até uns sete anos, mais ou menos, a criança segue as regras de casa e da escola e as obedece para evitar castigos e para receber os louvores e os prêmios esperados. Típico dessa idade é fazer as coisas "proibidas" quando a autoridade não está presente, pois então não haverá consequências materiais diretas.

Esse exemplo mostra o que Piaget afirmava sobre a heteronomia dessa idade. Para a criança as regras provêm de outras pessoas e é por respeito a essas pessoas que são obedecidas. Ao passo que para o adulto vigora a autonomia, quer dizer, as leis têm valor a partir da sua própria decisão consciente.

A criança pequena ainda não compreende a função geral das regras, e por isso nem pensa em fazer algo fora das regras ou, se um adulto não estiver perto, fora dos seus desejos e necessidades imediatas. Ela obedece porque teme o poder dos adultos e sabe que deve seguir o que eles ensinaram. A partir dos seis ou sete anos a criança amplia suas relações sociais e seu espaço de iniciativas. Além de continuar a seguir as normas, passa a considerar correto satisfazer o seus interesses, desde que não agrida os interesses dos outros. Cresce na criança um senso de trocas equitativas e também de reciprocidade: é bom ajudar aqueles que me ajudam, ou podem me ajudar. Esse é o estágio típico do "olho por olho, dente por dente". A criança vai atrás de vantagens práticas e materiais, mas também toma consciência da necessidade de equilibrar as vantagens com seus colegas.

Entre o universo moral da criança e do adulto situa-se o da adolescência, com suas típicas oscilações. O advento do raciocínio abstrato permite que o jovem comece a entender as razões gerais das regras e passe a considerar as expectativas da família, do grupo ou da sociedade como algo valioso por si mesmo, ainda que demande algum sacrifício pessoal. Os valores de autoetima e lealdade se tornam mais importantes. O jovem busca então manter e justificar sua posição nos grupos que frequenta, sentindo vontade de se identificar e solidarizar com as pessoas do grupo.

O adolescente continua a avaliar que o bom comportamento é aquele que recebe a aprovação dos outros, mas já amplia a duração, as formas e o significado dessa aprovação. Ele ainda forma imagens estereotipadas do que seja o comportamento da maioria, o comportamento "natural". É frequente ele responder, ao ser chamado à atenção: "mas os outros estão fazendo a mesma coisa". Isso ainda é heteronomia, é ir pelos outros. Mas o adolescente também começa a ser capaz de reconhecer a intenção dos agentes, sabendo aliar certas ações pelos princípios éticos e não apenas pelos resultados práticos. A "regra de ouro" - não devo fazer o que não quero que façam a mim - começa a fazer sentido, pois o adolescente é capaz de empatia e de juízo autônomo.

À medida que avança para a formação de um senso moral adulto, o adolescente compreende que é responsável por cumprir suas obrigações em cada grupo do qual faz parte, compreende que os demais integrantes desses grupos contam com sua ação, e sente sua autoestima crescer, pois se identifica como um membro livre e confiável que contribui para a boa convivência entre as pessoas.


ADAS, Sérgio. Propostas de trabalho e ensino de filosofia. p. 72.

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Muito bem! 

Agora volte ao AVA Sala de Aula que tem uma tarefa para você.

Até mais!! 

Imagem: Roberto Araújo Correia: o ser ético
Editado em 10/09/2021

sábado, 25 de março de 2017

Mais renda e menos trabalho

Na linha de pensamento que inclui nomes como Aristóteles - valorização do ócio- , Bertrand Russell e Domenico De Masi, o intelectual holandês Rutger Bregman propõe uma reforma no sistema capitalista que passa pela distribuição universal de renda e a diminuição da jornada de trabalho.

A ideia de transferir recursos à população teria como propósito minimizar as diferenças sociais como efeito primário e garantir com isto uma equalização possível da renda.

Seria possível?

Para Bregman o recurso atacaria um problema histórico do capitalismo: a pobreza e seus custos imensos para governos e sociedades.

Outro reflexo estaria na autonomia dos cidadãos para realizar tarefas profissionais de predileção uma vez que possuem o recurso material e tempo. Este último excede, como descreve De Masi, devido à tecnologia e as transformações provocadas por ela na era pós-industrial.



Ação que vai ao encontro do estado de bem-estar e do projeto socialista, porém liberal, que devolve ao trabalhador a prerrogativa de realização pessoal por meio da atividade profissional ou seja, pelo combate à alienação apontado por Marx, ideal às sociais democracias. 

O projeto prevê a valorização do mérito ao mesmo tempo em que resgata o papel social do liberalismo e afirma a confiança na maturidade dos indivíduos para a aplicação consciente dos recursos. 




A entrevista com Bregman sobre seu livro Utopia para realistas, que trata de temas polêmicos como renda, trabalho e imigração, está no El País. (clique aqui e leia).





imagens: Rising Up, Consciência Política

quarta-feira, 22 de março de 2017

Felicidade é filosofar!

ATIVIDADE EXTRA PARA AS TURMAS 71, 72, 81, 82, 91 e 92 DA EJA DO IEE BARÃO DE TRAMANDAÍ REFERENTE A ABRIL DE 2020. 



Olá, pessoal!

 Refletir sobre o sentido da vida é ou não uma tarefa de todos nós? 

E vocês podem me perguntar: mas, o que é exatamente refletir? 
Somos acostumados a fazer isso, mas pode ser que não tenhamos pensado exatamente no que seja a reflexão. 

Refletir não é conhecer nada novo. 

É pensar naquilo que já é conhecido. 
É pensar sobre aquilo que já pensamos. 

É olhar para dentro de nós mesmos e pensar sobre nossos pensamentos e assim tirar deles uma compreensão mais profunda que nos sirva como caminho para orientar a vida e assim dar sentido ao que fazemos e a quem somos. 

Isso é uma das maneiras de filosofar ou seja, de pensarmos nossa vida e viver o que pensamos

Agora, algumas perguntas: 

Pode ser a procura pela felicidade o sentido da vida que todos nós buscamos? 
E nós sabemos o que é a felicidade? 
Somos capazes de reconhecê-la e assim não confundi-la com prazeres que são agradáveis, mas às vezes deixam dores? 
Pode alguém ser feliz mesmo quando as coisas não estão muito bem? 



Pensar sobre aquilo que acreditamos ser a felicidade é a nossa tarefa agora.
Vamos refletir sobre aquilo que tanto queremos para ver o quanto disso nós sabemos. 

Essa tarefa vale para o mês de abril para todas as turmas da EJA, para aqueles alunos que estão retornando agora aos estudos. 

Nela você vai refletir sobre o que é a felicidade. 

TAREFA: 

Leia o texto que está na imagem e responda: 

"Ninguém impeça o jovem de filosofar nem impeça o velho de fazê-lo. Pois, ninguém nunca é imaturo nem muito maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não lhe chegou ou já passou, se assemelha a quem diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz." Epicuro

1 - Por que a felicidade está relacionada com a filosofia e qual a idade certa para ser feliz, segundo o texto?

2 - Quem foi Epicuro e o que dizia a sua filosofia? Faça uma breve síntese.


ENVIE SUA RESPOSTA ATÉ O DIA 09/07 PARA O E-MAIL 

profilocharles@gmail.com 

Boa reflexão para você! 

Foto e montagem: Filosofósforos

domingo, 20 de novembro de 2016

Tempo ou dinheiro?

Questão dourada da filosofia, ser feliz pode ser apontado como meta de vida, para todos.

Por isto, voltamos a falar da felicidade. 

Contudo, encontrar o significado para ela talvez seja uma das mais escorregadias tarefas.

"Todos aspiramos à felicidade, mas quanto a conhecer seu caminho, tateamos como nas trevas.” É o que nos sugere Sêneca. 

E neste tatear, podemos imaginar que a felicidade é possuir tudo o que se quer. No entanto, não se pode ter tudo. E se fosse possível ter, somente com a condição de não querer mais nada. Do contrário, continuar a desejar algo é querer possuir o que ainda não se tem e que trará a felicidade. É confessar-se infeliz. 

O tédio da conquista resultante da perda do interesse por já possuir o que se queria leva ao novo desejo e à perseguição à felicidade.

Como viver?

A filosofia aposta na sabedoria, no saber viver e isto implica conhecimento e posse da verdade.

Como diz Aristóteles, engana-se quem acredita que a felicidade seja diversão. Ela vem com atitudes virtuosas e isto para o homem é agir esforçadamente com a razão acima de tudo. Tem a ver com viver com consciência uma vida que se aprova, uma vida com sentido e alegria por ela ser como é quando aquilo que se faz, na maior parte do tempo, produz bem-estar autêntico, jamais prejuízos como os decorrentes dos vícios, desvios ou inconsequências. Se não fosse assim, venceria o cinismo.

Tem a ver com fazer o que se gosta com aprovação ética e gostar do que se está fazendo, desejando e possuindo numa relação de apreço ou amizade (filia) pela vida.

Amar o que se tem ou o que se é a cada instante, sem nada esperar além do que há e que pode não vir a ser, pois o que há é o presente que satisfaz, o real que completa, a verdade que confirma a verdade daquilo que se vive. 

 


Uma reportagem do jornal El País (clique no link para ler) se propõe a analisar a felicidade sob a seguinte questão: mais dinheiro ou mais tempo faz feliz?

E o que mais?


Uma leitura fácil e agradável para entender o percurso filosófico sobre a felicidade é o livro de André Comte-Sponville, A felicidade, desesperadamente. 




Quer ser feliz?
Desesperadamente?

imagens: Filosofósforos, Google