Sua revista escolar de filosofia.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Noções do texto científico: Seminário Integrado

Turmas 204, 205 e 304!

Preparados para trabalhar?!


Claro, né!

Cada um está indo ao encontro de um tema que gosta e vai sentir grande alegria em ter novos conhecimentos. 

Acorda, ae!


Vamos sistematizar mais nosso processo para ficar legal!

Agora, um pouco de redação científica.
Ela exige domínio da informação.

Significa que ela está amparada em dados levantados pelo pesquisador, sejam eles mensuráveis em quantidade ou sejam conhecimentos adquiridos na investigação por meio de obras consultadas. É o que se chama de elementos quantitativos e qualitativos.

Deste modo, o texto científico não contém opiniões do pesquisador, preconceitos, senso comum.

Mas, contém afirmações concluídas a partir da pesquisa. Estas afirmações pretendem ter validade científica e devem ser justificadas pelas referências citadas na pesquisa.

O que isto quer dizer?

Que o pesquisador investiga autores que trabalharam o mesmo assunto e vê o que foi dito. Este conhecimento garante que o conteúdo da pesquisa não foi tirado somente da cabeça do estudante que faz a pesquisa. E as partes de livros ou outras fontes citadas no trabalho devem trazer as referências, que são o nome do autor, ano da obra e página. Ao longo do estudo vamos ver como se faz isto.

O texto do trabalho científico deve ser:

- coerente: ter uma sequência de ideias conforme o que foi proposto já no resumo do trabalho, lá no início dele e que serve de apresentação ao leitor;
- objetivo: ir direto ao ponto ao afirmar, sem frases longas ou artifícios de linguagem que escondam a precisão do que se está dizendo e apoiar tudo o que se escreve em dados e provas colhidos na pesquisa;
- conciso: dizem o máximo com o menor número de palavras, essa é a regra e ela tem relação com a objetividade;
- claro: usar palavras simples e criar frases com sentido completo. Faça este teste: leia seu texto em voz alta e, se tiver alguma dúvida e quiser ler de novo, é porque não está claro. Reescreva aquele ponto.
- preciso: procura palavras que tenham o sentido mais exato com o que se quer dizer e evitar expressões que generalizam, como por exemplo, a expressão grande parte. Se você tem a informação da quantidade, diga quanto é: "de 100 pessoas entrevistadas, 83 disseram que não." Ou "83% recusou o teste."
- imparcial: manter as conclusões amparadas nos dados levantados pela pesquisa. Mesmo que elas contrariem a vontade do pesquisador. Não se deve assumir um lado, mas apontar a verdade dos fatos e dados pesquisados. O pesquisador assume uma posição de neutralidade científica. O resultado é que fala por si mesmo e quem lê a pesquisa tira suas próprias conclusões.
- impessoal: texto jamais em primeira pessoa, como "meu trabalho é, minha conclusão, apontamos que, etc." O correto é "este trabalho, a conclusão apontada, entende-se que."

Vamos ver um pouco de formatação?

A apresentação gráfica segundo as normas da ABNT tem algumas variações.
O modelo que vamos propor é da NBR 6022(2003), adaptado em 2007 e NBR 6024(2012).

Papel: folha A4

Margens: esquerda, direita, superior e inferior de 2cm

Espaçamento entrelinhas: 1,5 no corpo do trabalho e simples nas citações longas, referências, legendas e ilustrações de tabelas;

Numeração de páginas: no canto superior direito da folha, a partir da segunda folha;

Fonte: Times New Roman, tamanho 12 para o texto e 10 para as citações longas. 

Todo o trabalho deve estar justificado em suas margens. 
O cabeçalho é centralizado

As citações longas têm recuo 4 à esquerda e 0 à direita, espaço simples;
Parágrafos: primeira linha com recuo 1,5.
Títulos de seções numerados e sem recuo. 

Deixar uma linha em branco entre cada parágrafo e entre os parágrafos e as citações longas.

Mais para frente nós vamos ver a metodologia da pesquisa, os instrumentos de coleta de dados e como usar as citações e fazer a referências.

Por enquanto, para o pré-projeto o necessário é:

o título, o tema, a delimitação do tema, a pergunta-problema, os objetivos geral e específicos

Cabeçalho do TCC:

COLOCAR AQUI O TÍTULO DA PESQUISA, EXEMPLO: O EFEITO DA RADIAÇÃO DE CELULAR NA SAÚDE HUMANA (fonte tamanho 18 ou 20 em negrito)

Nome do aluno (fonte corpo 12)
Professor Orientador: xxxxxx
Nome da escola 
Nome da disciplina (número da turma) – nível (Ensino Médio) 
xx/xx/201x






Certo?!

Olha um exemplo de como vai ficar tua produção científica...


#tacalepau




imagen: adiberj, internet divulgação

Como iniciar a pesquisa: pré-projeto

Essa é para o pessoal do Seminário Integrado que ainda está com dificuldade em elaborar o pré-projeto da pesquisa.

Vamos lá?

Então, atenção turmas 204, 205 e 304!

Atire a primeira pedra somente quem nunca tiver dito esta frase:

"Professor, eu sei o que eu quero fazer, mas não sei bem como começar!"


Não é pecado nenhum não saber exatamente como engrenar na pesquisa científica.


Por isto é importante, antes de mais nada, escolher um tema.


Ele deve ser agradável para o pesquisador para ele não se desinteressar ao longo do trabalho.

Depois, tem que ter também relevância científica. Tem que contribuir para fazer o conhecimento avançar na área escolhida.

Tendo o tema, o passo seguinte é dar um limite para ele e então se perguntar:

- qual minha dúvida sobre isto? 
- o que eu quero exatamente saber sobre este assunto? 

Com isto se formula a pergunta problema, uma questão que o pesquisador vai responder com seu trabalho.

Repetir estas informações é reforçar a orientação neste ponto de elaboração do projeto.

Serve para que a gente consiga superar a fase da frase lá do começo do post!

Quem chega até a pergunta-problema, começa a estabelecer seus objetivos e parte para a ação.

Por exemplo, se eu quero pesquisar o efeito da radiação de telefonia celular na saúde humana, eu vou me perguntar: a radiodifusão da telefonia móvel pode provocar danos à saúde humana? 

Então, objetivos:

Geral: Compreender os efeitos da radiação de telefonia sobre o organismo humano.
Específicos: Entender qual o grau de exposição à radiação de telefonia celular pode ser considerado de risco; avaliar o nível de exposição humana à radiação de celular na minha cidade; apontar prováveis consequências da exposição à radiação de telefonia para a saúde humana.

Combinado?

Pense no que você quer e tente seguir o roteiro.
No post abaixo estão mais detalhes sobre o assunto.

Explore o blog e vá em frente!


imagens: bubblegumers, tenhoumaduvida

terça-feira, 26 de maio de 2015

Projeto de trabalho científico: seminário integrado

Olá, turmas de Seminário Integrado!

Sabe aquela parte da produção do projeto?

Então, é elemento do trabalho que precisamos realizar. Envolve nossa pesquisa e orienta nossa investigação para que o foco seja delimitado, seja bastante especificado e evite que nos percamos na procura por informações.

O projeto, que também podemos chamar de plano de trabalho, é o roteiro que pretendemos estabelecer.

Vamos organizar os passos necessários:

- TEMA
É o assunto que vamos tratar de modo geral. Exemplo: transporte público. Este é o tema.

- DELIMITAÇÃO DO TEMA
Significa que o assunto geral tem um ponto específico que nos interessa e vamos dizer qual é. Exemplo: o preço da passagem do transporte público na minha cidade nos últimos dois anos.

Neste momento, vamos propor para nós mesmos uma pergunta-problema que será a questão que vamos responder.
Exemplo: qual o impacto na renda do usuário de ônibus da minha cidade do aumento da passagem nos últimos dois anos?

- OBJETIVO GERAL
Este é o objetivo maior do trabalho, a conclusão esperada. Exemplo: esclarecer os motivos do aumento na passagem do trasporte público nos últimos dois anos e entender as consequências para a renda do usuário de ônibus.

- OBJETIVOS ESPECÍFICOS
São os objetivos que vão levar à conclusão do trabalho. Exemplo:
Identificar os aumentos do combustível (óleo diesel) nos últimos dois anos;
Compreender como o preço do combustível entra no cálculo do valor da passagem urbana;
Relacionar os aumentos na passagem ocorridos durante o período pesquisado e seus possíveis impactos na renda dos usuários de ônibus.

- METODOLOGIA DA PESQUISA
Vamos especificar que tipo de investigação será feita, qual será a técnica da pesquisa. Exemplo: a pesquisa será de natureza básica, pois será uma descrição do objeto investigado para tentar entendê-lo. 

- INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
É a forma de apropriação das informações necessárias para a pesquisa. Exemplo: pesquisa de campo, entrevista, investigação bibliográfica em livros e outras publicações impressas e digitais.


Bem, lendo isto, como ficaria?

Agora pode dar uma certa aflição, né!?

Relaxa... Vai dar certo!

Abaixo você pode ler um plano de trabalho para ter uma ideia mais clara daquilo que você precisa fazer. Questões como linguagem científica nós vamos ver adiante, certo?!


PROJETO DE PESQUISA

TEMA: Ensino de Filosofia

DELIMITAÇÃO DO TEMA: Contribuição da disciplina de Filosofia para a formação da consciência política no contexto da Educação Superior brasileira.

PERGUNTA (PROBLEMA) DA PESQUISA: A orientação central do MEC para o ensino de Filosofia na Educação Básica é formar os estudantes para o exercício pleno da cidadania no contexto democrático. Neste sentido, a partir desta fase do ensino, a disciplina possui responsabilidade com o despertar da consciência política dos estudantes, o que vai provocar efeitos nas próximas etapas da vida social, como o trabalho e a universidade. Esta tarefa pedagógica depende, em parte significativa, da ação docente. Portanto, o que o professor de Filosofia ensina quando se propõe a contribuir com a emancipação crítica dos alunos tornando-os pessoas conscientes e participantes da cidadania no âmbito da democracia?

OBJETIVO GERAL: Analisar as diretrizes e os objetivos para o ensino de Filosofia e compreender a participação docente no processo de aprendizagem.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:      
- Identificar as dimensões de atuação do professor de Filosofia entre o ensino do conteúdo disciplinar e a produção de conhecimento enquanto filósofo;         
- Estabelecer a relação entre a prática docente em Filosofia e a realização da expectativa de construção da cidadania democrática como identidade política por meio da disciplina;
- Propor a tendência pedagógica que pareça adequada para nortear o ensino de Filosofia no contexto educacional brasileiro, tendo por objetivo a formação da consciência política discente.

METODOLOGIA DA PESQUISA:
O artigo será elaborado por meio de pesquisa de natureza básica com a finalidade de compreender os procedimentos gerais sobre o ensino da Filosofia na educação nacional. Com abordagem qualitativa e exploratória, o trabalho pretende alcançar uma interpretação ampla para o problema, bem como refletir a respeito de propostas didáticas para a atividade docente da disciplina em questão.

INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS: 
O trabalho se desenvolverá utilizando a técnica de pesquisa bibliográfica abastecendo-se de livros e publicações digitais relacionadas ao objetivo a ser investigado.

imagem: dreamstime

domingo, 24 de maio de 2015

Linguagem filosófica: filosofar é libertar seu pensar, comunicar e agir

Mas, para isto, precisamos aprender uma maneira adequada que permita conquistar esta AUTONOMIA, esta liberdade de SER conforme as próprias regras, ou com a sua PRÓPRIA RAZÃO.

Não é uma caminhada simples. Contudo, pode ter o sentido de RENOVAÇÃO da CURIOSIDADE a respeito da realidade.

Você acha que consegue?
Está pronto para tentar?

Não precisa ter medo, basta acreditar que você tem o essencial para realizar: o pensamento!

Vamos nessa, então!?

Eis um segredinho: filosofar é um DIZER que requer um modo singular de LER a REALIDADE.

Fazer uma leitura do discurso ao nosso redor, TEXTUAL ou não textual, que é tudo aquilo que não está expresso em PALAVRAS, mas manda sua mensagem para nós, como a arquitetura de uma cidade, o comportamento silencioso das pessoas, uma paisagem...

Decifrar a eloquência do fenômeno do SER e delimitar aquilo que se diz sobre o que EXISTE.

Veja o que dizem as orientações curriculares da nossa querida filosofia:


“A pergunta que se coloca é: qual a contribuição específica da Filosofia em relação ao exercício da cidadania para essa etapa da formação? A resposta a essa questão destaca o papel peculiar da filosofia no desenvolvimento da competência geral de fala, leitura e escrita – competência aqui compreendida de um modo bastante especial e ligada à natureza argumentativa da Filosofia e à sua tradição histórica. Cabe, então, especificamente à Filosofia a capacidade de análise, de reconstrução racional e de crítica, a partir da compreensão de que tomar posições diante de textos propostos de qualquer tipo (tanto textos filosóficos quanto textos não filosóficos e formações discursivas não explicitadas em textos) e emitir opiniões acerca deles é
um pressuposto indispensável para o exercício da cidadania.” MEC, 2008, p. 26

Ou seja, estudante: ao mesmo tempo em que vamos conhecer a filosofia em sua história, vamos aprender um pouco o MÉTODO e a TÉCNICA que os filósofos aplicam para filosofar. Assim, você também vai chegar lá se tiver boa vontade e alegria em DESCOBRIR.

Abaixo estão algumas informações importantes para você compreender e consultar quando for preciso para resolver dúvidas sobre o que apresentamos até aqui.

O SENTIDO FORMATIVO DA FILOSOFIA
Ricardo Nascimento Fabrinni -USP

[...] é preciso ressaltar que cabe ao professor colocar o aluno em contato com diferentes modalidades discursivas. “Qualquer que seja o programa escolhido – ética, estética, filosofia política – não se pode esquecer que a leitura filosófica retém o essencial da atividade filosófica” (Favaretto, 1995, p.80); ou ainda: “É preciso acentuar que uma leitura não é filosófica apenas porque os textos são tidos por filosóficos - ou porque seus autores são considerados autores da história da filosofia, de Platão a Sartre -, uma vez que se pode ler textos filosóficos sem filosofar e ler textos considerados artísticos, políticos, jornalísticos filosoficamente” (Lyotard, 1993, p.117). Em outros termos: o que faz da leitura de um texto uma atividade filosófica não é a natureza disciplinar do texto lido, mas o modo como o leitor lê este texto; ou seja, o essencial dessa atividade está no modus operandi do leitor face às diferentes formas de enunciação. A “leitura filosófica” não se esgota, assim, na simples aplicação de metodologias de leituras. “Ela é um ‘exercício de escuta’, num sentido análogo ao da psicanálise, pois se manifesta como uma “elaboração do texto que desdobra seus pressupostos e subentendidos” (Favaretto, 1995, p.81).

Outro segredinho: aprender filosofia aprendendo a filosofar requer três fases indispensáveis a serem desenvolvidas:

1 – aprender o CONCEITO, ou seja, aquilo que as palavras significam em filosofia: liberdade, justiça, amor, autonomia, etc. O que são? Cada conceito é a SÍNTESE, o resumo ou conclusão de um modo de pensar o PROBLEMA filosófico. O que é tal coisa? A resposta CONCEITUAL oferece uma explicação coerente, consistente, geral, universal a ponto de ESCLARECER o que seja a coisa em toda a qualquer ocasião. Exemplo: há vários casos envolvendo a justiça e eles podem ser diferentes em suas particularidades, mas, a JUSTIÇA enquanto conceito pretende ser UNIVERSAL E REVELAR O QUE ELA É EM QUALQUER SITUAÇÃO.

2 – aprender a PROBLEMATIZAR, ou seja, a propor questões, perguntas que tenham relevância filosófica. Significa olhar para a realidade e perceber nela LACUNAS que necessitam preenchimentos. Por exemplo: SE TODO O HOMEM É LIVRE, POR QUE NÃO POSSO FAZER TUDO O QUE DESEJO? Isto vai exigir que se explique o que é a LIBERDADE enquanto fenômeno real e elaboração conceitual. A resposta vai levar à terceira etapa.

3 – a terceira etapa é a ARGUMENTAÇÃO. Quer dizer que se vão criar respostas satisfatórias para defender um PONTO DE VISTA, um modo filosófico de pensar. Mas, não é qualquer resposta que possa ser invalidada facilmente. É sim uma RESPOSTA LOGICAMENTE CONSISTENTE, que tenha coerência tão aprofundada que possa servir de VERDADE PARA SUSTENTAR UM CONCEITO, ter validade. Exemplo: ao responder o que é a liberdade, se constrói argumentos apropriados para isto. 

Durante o ano, vamos recorrer a estas etapas sempre que precisarmos para ENTENDER a filosofia que estamos estudando e o FILOSOFAR que estamos fazendo.

Um abraço e bons estudos!!

imagens: internet/kdfrases

domingo, 10 de maio de 2015

Deus é o homem?

Deus é a imagem e semelhança do homem.

Ousada esta inversão do que diz a religião?

Pode-se ter nesta síntese simples uma referência ao pensamento do filósofo alemão Ludwig Feuerbach a respeito da religiosidade.

Materialista, Feuerbach defende que as ideias são concepções do homem enquanto ser real e concreto, e não que o homem e a realidade concreta sejam resultado da ação de uma ideia, opondo-se assim ao idealismo de seu mestre Hegel. Deste modo, a religião é uma projeção do próprio homem em representação divina.

Este tema é assunto do livro do meu amigo, o professor de Filosofia Paulo Airton Hartmann.

A obra intitulada Feuerbach e o Ateísmo Antropológico é resultado da dissertação de mestrado do professor Paulo e agora chega ao público interessado em refletir sobre a questão.

O próprio autor resume o trabalho apresentando-o:

"Feuerbach responde à pergunta: de onde e como surge a religião? O homem, dotado de inteligência e consciência, é capaz de pensar-se como indivíduo e como espécie. Como indivíduo, percebe-se limitado. Como espécie, descobre sua essência. Sua essência e todas as suas potencialidades e desejos ele as projeta para fora de si e as chama Deus. Feuerbach, com seu ateísmo, quer restituir ao homem a dignidade perdida e demonstrar que a teologia é, na verdade, uma antropologia. Por fim, faz-se a crítica da crítica de Feuerbach. 




O livro destina-se a ateus e crentes que, como verdadeiros filósofos, se dispõem a um questionamento sobre suas crenças."


Então, interessado?

Para adquirir o livro basta acessar o site www.morebooks.de e encomendar.

Sobre o autor, o professor Paulo Airton Hartmann é natural de Montenegro, no Rio Grande do Sul. É licenciado em Filosofia pela FAFIMC. Possui especialização em Ensino Religioso pelo CESUCA e é mestre em Ética e Filosofia Política pela PUCRS.

Como você entende Deus? 
É possível que Deus seja uma projeção das potencialidades humanas, sendo uma representação sem realidade ontológica? 
Se for assim, a realidade concreta é uma autocriação da matéria? 
Só o que existe de concreto é o existente possível e ao alcance da experiência sensorial? 
Ou há uma realidade ideal que foge aos sentidos, mas é percebida pela razão? 

Certamente estas e outras questões podem ser pensadas com mais propriedade a partir do que traz o livro do professor Paulo.

imagens: Facebook Paulo Airton Hartmann, theophiliacs

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A força do destino

Você acredita no destino?

A resposta pode ser indiferente.

Pois, se o destino é força determinadora dos fatos ou não, crer nele não faz diferença. Ele atuará ou não igualmente. Seria preciso, então, encontrar argumentos consistentes o suficiente para comprovar que os acontecimentos da vida são presididos pela força do destino.

O fenômeno é uma referência. O real concreto é fato. Aquilo que ocorre no mundo acontece por necessidade. Encontrar conexões que formam o conjunto de circunstâncias causadoras dos efeitos do mundo seria uma ilusão humana que caracterizaria a resistência em aceitar que o fato é único, jamais múltiplo.

O que ocorre descarta todas as outras possibilidades.

E por que as coisas ocorrem?
Seria pela conjunção dos fatores?
Estes fatores seriam voluntários ou determinados?

Esta é a questão.

Aquilo que existe possui realidade maior do que aquilo que é especulado, imaginado, pensado, o que é abstrato, ideia, representação. Neste sentido, a força atrativa da realidade para a produção dos fenômenos é a própria força criadora ativa e concreta. Esta potência é presente. 


Só há este presente concreto transformando-se por suas próprias leis e, deste modo, a vontade não pode intervir na potência real e possui apenas a ilusão de controlar os atos quando o ser é sim guiado pela realidade que se impõe como verdade porque de fato existe. Por exemplo, as escolhas que se faz ao longo da vida são as escolhas possíveis para confirmar o que a realidade quer.




Isto perturba?

Pode ser que sim. Pois, tira do sujeito o liberdade de arbítrio e confirma o trágico como fim da existência. Por outro lado, configura a humildade do ser diante do poder real, que em alguns casos é proposto como sendo o próprio poder divino imanente. Esta ideia é parte do núcleo ontológico estoico e está presente em diferentes filosofias, como nas de Nietzsche ou Spinoza. 

"O destino guia aquele que consente e arrasta aquele que recusa" Sêneca

"Que é Deus? Tudo o que vês e tudo o que não vês. Idem

"Lembra-te, pois, que se tomares como livres coisas que são escravas por natureza, e por tuas as que são alheias, surgirão continuamente obstáculos após obstáculos e ficarás aflito, perturbado." Epicteto

"Sabes o que é teu? O uso que fazes da aparência das coisas." Idem

"[...] existe acaso um só néscio que viva sem sofrer, sem temer, sem cair, sem alcançar a meta? Nenhum. Não há, portanto, ninguém livre." Idem


O filósofo francês Clément Rosset trata da questão no livro O real e seu duplo. 

Diz, por exemplo, que a narrativa oracular guarda a ilusão de fuga do destino por conhecê-lo. Mas, ao fugir do destino, se faz com que ele se cumpra, como o mito de Édipo.




Não é estranho apesar de lógico?



Então, você aceita a ação do destino enquanto princípio real, tenha ele o nome que tiver?


imagens: dtcom, portalplanetasedna, fatamorgana, freethoughtalmanac, record
citações: Mondolfo, Rosset

terça-feira, 7 de abril de 2015

Conclusão: Em busca da Felicidade, um voo do pensamento

Ir às alturas requer esforço.
Porque, não tendo asas, voar, para o homem, é pensar. 

Pensar imaginando.
Pensar filosofando. 

O voo da razão com as asas da filosofia é imagem que simboliza chegar ao limite possível do entendimento. 

"Na verdade, tive que voar ao mais alto para tornar a encontrar a fonte da alegria." Nietzsche, Assim falou Zaratustra, Parte II. 



Ou como diz Hegel, o pássaro da Minerva, que representa a sabedoria, só alça voo quando cai a escuridão. Quando se chega ao fim da história para compreender o que ela significa. 



Nossa história, até aqui, foi buscar um sentido comum para o termo felicidade. 

Para isto, tivemos que exercitar as asas do pensamento na reflexão. 
Nos tornarmos críticos, analíticos a procura de uma síntese. 

Como foi apresentado no post anterior a este, percorremos duas linhas básicas do entendimento daquilo que seja a natureza humana na tentativa de compreender os motores da nossa ação para a geração daquele estado anímico que para nós significa sermos felizes. 

A proposta das aulas era percorrer o caminho rumo ao conceito de felicidade explorando as dimensões estéticas e éticas do homem, examinar propostas de alguns filósofos na definição do termo e, ao final, ousar definir a felicidade a partir do próprio jeito de entendê-la, com as próprias palavras, mesmo pegando emprestadas ideais já filosofadas. 



A rota do nosso voo foi sinalizada para evitar que alguém se perdesse na imensidão dos raciocínios, sem conseguir planar seguro. 


Estabelecemos como sinais que: 




- A felicidade deve ser um estado contínuo de um tipo excelente de prazer conforme a natureza humana. 

- Que o prazer dá sentido às ações. 

- Que o homem é composto de corpo e mente racional e emotiva e que isto reflete a estética e a ética. 

- Que a ética dá significado à estética, pois o intelecto explica os impulsos do corpo e propõe os limites do certo e do errado nas ações.

- Que a felicidade é o prazer obtido com ações que conservam e melhoram a vida física e que garantem a integridade moral, sem comprometer este mesmo exercício por parte das outras pessoas. 

Ao voo, ao trabalho

Aceito o desafio de se aventurar nas alturas filosóficas, os alunos da turma 306 da Escola de Ensino Médio Santa Rita de Cássia sempre se mostraram corajosos. Afinal, eles tiveram que trabalhar elementos novos e aprimorar juízos a respeito do assunto e sobre as próprias crenças para conseguir se desprender da terra, dos significados já construídos ao longo de suas experiências, e tentar este pequeno, mas relevante voo na filosofia. 

Distribuídos em grupos, os estudantes debateram o tema.

Argumentaram.
Problematizaram. 

Encontraram dificuldades com a abstração, este ar rarefeito do pensamento conceitual. 
Enfrentaram as barreiras da opinião uns dos outros. 

Sem maiores vertigens, seguiram determinados e, com alguma ajuda, conseguiram o equilíbrio para se manterem no eixo até desfrutarem das correntes de vento dos próprios pensamentos. 

E o que eles disseram? 




"Felicidade é algo obtido por nossas ações onde conseguimos pensar e saber agir de uma forma onde conseguimos estar bem com nós mesmos" 


Guilherme Dutra, Nadine Weiler, Tayna De La Vega. 





"Felicidade é realizar os sonhos, cumprir metas, alcançar os objetivos, mesmo que seja nas coisas simples da vida, mas, acima de tudo, conquistar isto sem atrapalhar a conquista do próximo." 


Hamanda Fausto, Célia Pimentel, Vanessa Moraes, Felipe Medeiros, João Paulo Gomes, Robson Cruz





"Felicidade é algo com definições múltiplas, não prevista, mas com manual de moral a seguir fazendo com que a felicidade seja algo contínuo, diferente do prazer." 

Norton Martins, Alessandro do Amaral, Dieyson dos Santos, Vinicius Oliveira, Marciele Vargas Bragança, Gabriel Vargas Bragança





Estar bem com a própria consciência no atendimento das ambições. 

"O essencial para nossa felicidade é a nossa condição íntima, de que somos donos." Epicuro

Satisfazer as necessidades de prazer do corpo e do intelecto buscando acrescentar nesta mistura o bem correspondente à natureza humana. 

E qual esta natureza? 

Eis o debate de fundo quando se discute a felicidade. 

Esta concepção vai nortear a busca pela felicidade. Culturas mais estéticas, materialistas, hedonistas, individualistas, narcisistas, egoístas ou então idealistas, racionalistas, espiritualistas, etc., vão propor modos correspondentes aos próprios valores, estes relacionados à causa e à finalidade da existência humana, para se viver uma vida feliz. 

A felicidade do monge se distingue, em princípio, da felicidade do executivo. 

Imerso na cultura, o sujeito precisa responder a si: quem sou? 
Ao se reconhecer, necessita ainda de algo: de autonomia para buscar sua felicidade. 

E isto se consegue com liberdade. 
Liberdade que se mantém como relação em comunidade. Para tê-la, é preciso dá-la. Na reciprocidade do cuidado para com a liberdade, cada um pode ser e fazer aquilo que felicita, no limite do convívio respeitoso e construtivo. 

Promessa é dívida

No início do módulo, o trato era que quando chegássemos ao encerramento da unidade, avaliaríamos as conceitualizações da turma e lançaríamos também uma minha, que se tornaria nossa, própria. Ela ficou assim: 


"Felicidade é a sensação produzida pela relação positiva e contínua com as coisas materiais e imateriais que dão a mim a alegria e a certeza de eu ser quem sou." 


Satisfeito? 

imagens: Charles Dalberto, danbrazil, wikipedia

terça-feira, 31 de março de 2015

Unidade didática: Em busca da Felicidade

A questão da felicidade significa a procura por ela. 

Questionando sobre o que é a felicidade podemos, quem sabe, encontrar um termo comum conceitual que nos permita saber do que estamos falando uns aos outros ao nos dizermos felizes. 

Será que é possível? 

Definir a felicidade tem sido uma das mais espinhosas tarefas da filosofia. 
Se trata de produzir o significado de um significante quando ambos são móveis. 

O valor semântico do termo felicidade parece ter extensão e intensão ilimitadas. As coisas que dão felicidade e o que significa a sua intensidade são irrestritas dificultando atingir denotação e conotação precisas. 

Quantas coisas são precisas para dar felicidade?
O que estas coisas precisam ser? 

A felicidade depende de condições que estão em constante transformação, fuga, escapando do homem. Dwitgh Furrow diz que "ser feliz é manter ativamente o que é vulnerável." 

O vulnerável é frágil, é instável, tende a acabar e cada pessoa necessita se esforçar para reter o que lhe faz bem. 

Bem?! 

Sim, a felicidade é um bem. 
Então, está respondido! 

Será mesmo? 

Pense melhor... Diga o que é o bem. Ele é o mesmo para todos? Se alcança da mesma forma? 



Afinal, o que é o bem? 
Quem o institui? 
O bem é sempre a mesma coisa ou muda? 
Ele é universal ou particular? 

Cada filósofo vai propor caminhos até a felicidade que podem se complementar ou não. 

Contudo, uma coisa é certa: não há receitas de felicidade prontas.

Se houvesse, já não seríamos todos felizes? 
Temos alegrais e tristezas na vida. 

Motivados por esta árdua questão que intriga filósofos, psicólogos, médicos, juristas, sociólogos, religiosos e pode-se dizer que intriga todos os que se deparam com o tema, os alunos da turma 306 da Escola Municipal de Ensino Médio Santa Rita de Cássia, em Gravataí, na Grande Porto Alegre, estão investigando o que seja a felicidade. 

O trabalho está sendo desenvolvido em conjunto com o professor Paulo Airton Hartmann. São três encontros para trabalhar um grande volume de informações que abaixo vêm condensadas. No final, os alunos vão se aventurar a compor uma definição própria de felicidade a partir dos elementos apresentados à reflexão. Assim eles terão passado pela problematização, pela argumentação e pela conceitualização, fixando elementos essenciais à aprendizagem filosófica. 


O resultado apresentado pelos alunos a respeito do tema que estamos conduzindo estará aqui no blog. Alguns pensamentos dos estudantes já estão no publicados como comentários no post O prazer de Epicuro para serem conferidos. 

EM BUSCA DA FELICIDADE

A felicidade pode ser compreendida como a razão última do viver e do filosofar. Como a vida e a filosofia são incertas e incompletas, assim também é a felicidade. (Charles Dalberto).

Só o homem pode ser feliz. Então, precisamos encontrar no ser humano as razões da felicidade. Não é tarefa fácil.

“Todos aspiramos à felicidade, mas, quanto a conhecer seu caminho, tateamos como nas trevas.” Sêneca

Precisamos de guias. Eles são o INSTINTO/EMOÇÃO e a RAZÃO e vão nos levar às dimensões ESTÉTICAS e ÉTICAS do homem.

ESTÉTICO é tudo o que se relaciona com o corpo. O homem é um ser material vivo, portanto, biológico; é um animal. O corpo é fonte de necessidades que produzem desejos; os desejos estimulam a vontade; a vontade leva à ação.

AMOR ERÓTICO: carência daquilo que faz feliz, desejo que procura satisfação, paixão.
AMOR FILIA: felicidade enquanto se está junto com a coisa amada, amor da amizade.

O homem age para buscar satisfação. Um parâmetro para saber o que procurar e o que rejeitar são as sensações de PRAZER e DOR.

“Chamamos ao prazer o princípio e fim do viver feliz. [...] Prazer e dor são duas afecções que encontramos em todos os animais; uma favorável e outra contrária: critério da escolha e da aversão.” Epicuro 

UTILITARISMO: cálculo dos benefícios e dos prejuízos das ações para ter o MÁXIMO DE PRAZER e o MÍNIMO DE DOR.

HEDONISMO: doutrina do prazer. O hedonismo se torna problema quando pelo prazer há excessos e prejuízos individuais e coletivos. Para evitar isto é preciso ser PRUDENTE. Prudência é VIRTUDE, qualidade positiva que dá PODER AO HOMEM ao dar a ele SABEDORIA.

“As virtudes acham-se, pois, por natureza, unidas à vida feliz e a vida feliz é inseparável das mesmas” Epicuro

O homem é mais do que um animal. Ele RACIOCINA. Não age só por desejo, por INSTINTO, por EMOÇÃO, mas reflete para agir do MELHOR MODO.

“Faze a seguinte interrogação a respeito de cada desejo: que me acontecerá se se realizar o que quer o meu desejo?”Epicuro

Na busca da sua satisfação, o homem pensa o que é o BEM e cria razões ÉTICAS para agir certo e ser feliz.

 “[...]a vida conforme ao intelecto[...] esta é a vida mais feliz.”Aristóteles

Porque para Aristóteles cada espécie tem um tipo de prazer. O tipo do prazer do homem é conforme sua finalidade, que é pensar e ser SÁBIO. A SABEDORIA É O PRAZER SEM FIM!

Pensando, o homem pode concluir que há um BEM MÁXIMO e que este BEM pode ser DEUS. Viver conforme o que MANDA este bem máximo produziria a felicidade. Amar a vida, aos outros, ser virtuoso, aplicar talentos pelo bem coletivo, cuidar de si e do mundo.

AMOR ÁGAPE: amor fraterno e incondicional, sem interesses, amor doado e divino, amor “santo”.
 
“[...] os homens bons são sempre felizes e infelizes os vis; e a felicidade dos primeiros (os bons) não difere da felicidade divina.” Zenão de Cítio

DEUS não pode ser demonstrado, apenas provado PELA RAZÃO e aceito pela FÉ. Mas isto NÃO ANULA A ÉTICA!

Epicuro é MATERIALISTA e tem FÉ que a vida é somente biológica. Mas isto também NÃO ANULA A ÉTICA!

A ÉTICA são REGRAS sociais gerais que permitem CONVIVER EM HARMONIA E EM PAZ, cada um PROCURANDO A SUA FELICIDADE com a LIBERDADE possível entre todos.

Buscar a FELICIDADE envolve refletir sobre QUEM SOU EU e quais são meus VALORES, DIREITOS E DEVERES:

- O que é o BEM e o que é o MAL, o que é CERTO e o que é ERRADO para mim e para MINHA COMUNIDADE, desde a minha casa ao mundo todo. O que necessito enquanto um ser ÉTICO?

- O que causa prazer e o que causa dor. O que preciso e POSSO TER enquanto um ser ESTÉTICO?

CONHEÇA-TE A TI MESMO! Sócrates, frase do Templo de Apolo em Delfos.

“A felicidade envolve um julgamento de aprovação sobre nossa vida, um julgamento de que a maioria de nossas necessidades está sendo satisfeita, e que vale a pena ter tais quereres.” Dwight Furrow



Vamos tentar definir melhor o que seja a FELICIDADE? 


imagens: twitter, pgfilo, louge.obviousmag, imgarcade, biografiasyvidas, asboasnovas, mensagenscomamor, Nilza Scotti

segunda-feira, 30 de março de 2015

Lógica & ontológica

A verdade é estática.
A verdade é móvel.

Antagonismo filosófico que vem de longe, de Heráclito e Parmênides, especialmente.

Ao longo da história da filosofia, grandes e importantes foram os que defenderam uma ou outra posição. Houve também aqueles pensadores que tentaram conciliar as duas dimensões, do devir e do permanecer, como Platão ou Aristóteles e todos os que seguiram seus passos na investigação estrutural do ser.

A verdade é que tudo transita?

Enunciar a verdade esbarra na impossibilidade de demostrá-la e se torna questão de linguagem.

A verdade é uma fala constantemente desmentida pela realidade.

Seria?

"Todos vós, ó sábios célebres, tendes servido o povo e a superstição do povo, e não a verdade." Assim falou Zaratustra, Parte II. 

Para você, qual a definição de verdade?

A verdade e o ser são o mundo concreto e impermanente ou há uma dimensão das essências onde tudo permanece, inclusive o espírito humano?

A lógica pode dar conta das questões ontológicas?

imagem: counter-currents

terça-feira, 17 de março de 2015

Moralismo à inglesa?

Na Inglaterra, três juízes foram expulsos da magistratura e outro pediu demissão do cargo para não ter o mesmo destino.

A razão da pena imposta aos magistrados foi por eles terem acessado conteúdo pornográfico durante e no local de trabalho, segundo o jornal espanhol El País.

Uma investigação apurou os fatos relacionados à conduta dos juízes e entendeu que, apesar de não ter sido ilegal e de nem mesmo a pornografia acessada ser ilegal, o comportamento deles foi considerado inaceitável para quem exerce a função.


Você pode pensar e chegar à conclusão de que a medida foi correta.



Afinal, eles são magistrados, devem honrar as atribuições públicas a eles confiadas e jamais traí-las por interesse próprio, nem macular a imagem representativa de probidade e lisura de suas figuras. Se for permitido acessar uma pornografia aqui e outra lá, quem sabe não se está sendo licencioso para com maiores corrupções dos costumes e das funções?

No entanto, pode ainda restar uma sensação de injustiça... De desequilíbrio entre a ação e a consequência.

Você sente?
Seu senso moral sugere isto?
Ou não?

Sinal da cultura brasileira, mais permissiva, influenciando o julgamento?

A conduta deles não pode ser aprovada.
Mas, deve ser reprovada com a perda das funções?

A Inglaterra é um país liberal, porém, seus costumes foram moldados com a rígida moral vitoriana que, entre outros hábitos, promoveu repressões duras à sexualidade no Reino Unido.

Num ambiente conservador e tradicional como a corte judiciária a repressão é característica que pode ainda se manifestar como traço ativo da cultura.

Vale lembrar que a moral se relaciona aos valores da conduta que dividem bem do mal e possuem caráter histórico, transitório e restrito, diferente da ética, que dela se abastece e de alguma forma se equivale na origem, mas que, enquanto ciência da moral, pretende estabelecer normatizações universais do comportamento.

Os juízes incorreram em uma falta ética que parece ter sido julgada sob parâmetros morais.
Ou mais do que isto...

Não se trata, devido ao aparente exagero, de moralismo?

Como você sabe, moralismo é entendido como excesso de moralidade quando se toma o valor moral em si mesmo como absoluto, sem levar em consideração nos juízos as relações entre a ação, as circunstâncias do contexto e a norma moral.


No moralismo, a moral é elevada à condição de lei sob a qual não se pode transigir. Está absoluta e acima do homem que a ela deve se curvar.


Será mesmo?
Não há que se relativizar e entender a humanidade da ação?

"[...] é um formalismo ou conformismo moral que tem pouca substância humana." ABBAGNANO, Nicola.

Ou como diz Nietzsche,

"Não existem fenômenos morais, mas interpretações morais dos fenômenos." (Além do Bem e do Mal, fr. 108)

Então, a interpretação da comissão a respeito da conduta dos juízes e a punição adotada são equivalentes com a gravidade do ato?

Lembre-se de que, se nos achamos mais flexíveis e tolerantes a questões como esta no cotidiano, no âmbito profissional a conduta deve ser observada e conformada à organização para a qual se trabalha.

Políticas de T.I. e códigos de ética podem vetar o acesso a certos sites e regrar outras atitudes punindo, até severamente, os infratores, mesmo que sejam colaboradores capacitados e estratégicos.

Depende a cultura, certo?
Errado?

O que você acha?

link: El País
imagens: público/internet, poiesispsicologia, itabunaurgente